É sempre assim. Quando se fala em paquera, em começo de conquista, tudo é levado na excessiva descontração. A paquera e o processo inicial de conquista sempre é tratado como se fosse uma brincadeira, nada levada a sério. Mesmo que tudo acabe em um matrimônio cheio de responsabilidade, com algum risco de se converter em uma violência doméstica.
É uma mania das pessoas de separarem os casos de violência doméstica do começo quando o casal se formou. Todo caso de violência doméstica se iniciou de forma amigável, descontraída e alegre. Como uma saudável brincadeira. É só ativar a memória.
A raiz de tudo está no começo da paquera e é preciso desde o início de haver uma seriedade e saber escolher o parceiro. O rigor da seleção deve existir em relação a personalidade da pessoa, não na aparência ou nas capacidades de proteção e sustento.
Não raramente usamos a vida amorosa para satisfazer interesses particulares. Quase todos somos assim. Este é o verdadeiro motivo que faz mais de 90% se casarem, além de agradar a sociedade, fazendo algo para se sentir incluída nela. Não queremos amor nem companheirismo, mas o que o cônjuge pode nos oferecer: dinheiro, proteção, sexo, filhos e reconhecimento social.
É com base nestes interesses que escolhemos mos nossos parceiros, desprezando outros critérios que podem ser mais decisivos para um relacionamento bem sucedido. Escolher uma pessoa pelo caráter, por exemplo.
Não é raro desprezarmos o caráter de uma pessoa. Mas para quê caráter, se casamos com alguém só por casar, passando pouco tempo ao lado do cônjuge, reservando o verdadeiro amor e companheirismo aos amigos, que desejariam que alguém fosse casado só para cumprir um ritual social? No fundo é para agradar aos amigos que queremos casar com alguém.
Por isso mesmo que erros são cometidos com frequência na hora de escolhermos nosso parceiro. Já é um erro tratarmos a paquera como uma brincadeira. Nesta brincadeira, de risadas e danças de rosto colado, nosso cérebro trava e nos esquecemos de analisar a personalidade e as intenções daquela pessoa que tentamos conquistar/ser conquistadas.
O isolamento para evitar o contágio da Covid-19 tem mostrado a cagada feita por aqueles que enxergam a conquista amorosa como uma descontraída brincadeira. Casais que se descobrem não-afins, porque com o convívio 24 horas - reduzido pela vida profissional dos cônjuges, provocando separação momentânea por mais de 8 horas por dia - começaram a se conhecer melhor. Realmente, o amor tem cheiro de mijo, como disse aquele grupo musical.
Seria muito bom que levássemos o processo de conquista a sério. É nele que está a raiz que cortará o mal que origina a violência doméstica e outros tipos de discórdia menos graves. Se levarmos a conquista a sério e prestarmos atenção na personalidade do pretendente, poderemos estar nos prevenindo e reduzindo a chance de levar um grande problema para conviver embaixo do mesmo teto. Todos os dias, 24 horas cada.

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