Neste ano o Big Brother Brasil decidiu inovar e chamou, para parte do elenco deste ano, vários influenciadores digitais bem conhecidos para tentar aumentar a audiência do programa, que há muitos anos no ar perdeu seu ar de novidade e sua razão de existir.
Esta novidade tem dado certo, pois pelo menos os fãs desses influenciadores garantiram a audiência do programa, no mínimo pela curiosidade em ver como seu ídolo se comportaria em uma atração como esta. Antes do programa começar, muita especulação houve sobre quais influenciadores estariam no programa, o que animou a emissora antes mesmo da edição de 2020 começar.
Entre os influenciadores que foram escolhidos para o programa está a cantora juvenil Manu Gavassi, que fez aqui algo parecido com o que as cantoras surgidas da Disney e da Nickelodeon, como Demi Lovato, Selena Gomez e Kira Kosarin fazem lá fora. Depois da experiência como cantora, Gavassi se tornou influenciadora digital, e com muito sucesso.
Ontem, houve a eleição para o paredão e Manu estava entre os que iriam ser despejados do programa. Felizmente, ela não foi, indo um tal de Prior, segundo muitos, um machista (eu não acompanho o programa e conheço apenas o Babu e a Manu, de trabalhos feitos antes do programa). Mas antes do tal paredão, uma polêmica envolvendo a Manu quase a manda para o espaço.
Manu escreveu nas redes sociais - os participantes puderam usar a internet durante o confinamento - que odiava futebol. Como sabemos - embora ninguém comente para "naturalizar" o fato - o brasileiro é obrigado a gostar de futebol, considerado por mais de 85% da população como o símbolo máximo do Brasil. Eu prefiro a feijoada, mas aí os veganos futebosteiros iriam querer me linchar.
Uma campanha anti-Manu foi orquestrada por jogadores de futebol e muitos fãs do esporte se apressaram em demonizar a cantora, iniciando a campanha pelo seu defenestramento. Manu não foi defenestrada e o tal de Prior, que adora futebol como todo metido a machão, é que teve que ser ejetado do programa, garantindo a permanência de Manu na mesma.
Pelo jeito muita gente - certamente os que respeitam o não-gosto pelo futebol - decidiu evitar que a cantora, bonita e altamente carismática, saísse do programa. A polêmica não teve a unanimidade sonhada por muitos torcedores que gostariam que 100% dos brasileiros gostassem de futebol.
Interessante a Manu assumir esta posição. São poucas as celebridades que assumem publicamente o desprezo pelo esporte-obrigação. A exigência social de gostar de futebol, apesar de não estar na Constituição Federal, é cobrada com o mais absoluto rigor. Como um falso consenso em um país cheio de diversidade, o futebol virou o meio de pessoas divergentes se convergirem.
Parabéns a Manu pela coragem de desafiar a ditadura pelo gosto do futebol, este esporte sem graça que após uma maquiagem cheia de camadas cívicas, se tornou paixão nacional e motivo para que a manada de torcedores não faça muita questão que o Brasil se desenvolva. Afinal, somos os melhores no futebol. Precisamos ser melhores em outra coisa?


Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.