sexta-feira, 17 de abril de 2020

Millennials estadunidenses só gostam de hip-hop e desprezam músicas antigas

Há um mito que os brasileiros acreditam que diz que os estadunidenses são um povo evoluído e altamente intelectualizado. Falso. O fato de ser uma potência militar e ainda dominar na economia mundial, os Estados Unidos deixam muito a desejar em intelecto. 

Mesmo impondo a sua cultura ao mundo todo, ela, atualmente, costuma ser falha, ruim e ilude através da pompa, esta confundida como "atestado de qualidade".

Mesmo que em outros tempos a cultura estadunidense tenha tido melhor qualidade, a música comercial nos EUA teve um gradativo e inevitável ritmo de piora desde o fim dos anos 60. Hoje, o que se chama de "cultura norte-americana" é péssima e tem como base a pior fase do hip-hop.

Estranho que o hip-hop passou por uma mudança brusca e repentina para pior no início dos anos 90. Saem o excelente e divertido estilo consagrado por Sugarhill Gang, Grandmaster Flash e Kurtis Blow e entra o toast monocórdico de Snoopy Dog, Jay Z, Kanye West e uma cacetada de imitadores destes, com os nomes mais estranhos do mundo. 

Esta forma monótona - e odiosa - de fazer hip-hop ganhou muita popularidade e se tornou hegemônica na cultura estadunidense desde então. 95% do que é produzido para jovens hoje nos EUA toma como base o ritmo preguiçoso e as danças grotescas do hip-hop. E os jovens adoram.

O que faz a popularidade deste estilo de qualidade mais que duvidosa, é a catarse. Catarse é quando a pessoa sente necessidade de desabafar por meio da manifestação de instintos. Sexo e violência são muito usados neste tipo de música através das danças que unem uma pseudo-sensualidade com uma certa grosseria agressiva típica do gangsta rap, estilo que deu origem ao hip-hop atual.

Nascidos em um mundo sem certezas, do contrário das gerações anteriores, os jovens não tiveram tempo - e nem foram educados para isso - para desenvolver o gosto por coisas mais suaves, melódicas e sensíveis. O lazer, manifestação principal da cultura atual, se tornou uma forma de desabafo, de exalar uma espécie de ódio controlado contra problemas insolúveis e em seus causadores.

Isso justifica uma certa agressividade nas danças. Jovens mulheres, brancas e bem vividas, que dançam hip-hop como se fossem negões do gueto, são um bom sintoma do que acontece hoje em dia. A raiva, mesmo controlada, se tornou um meio de extravasar que acaba agradando muito bem a uma juventude desacostumada a amar e a exaltar o belo e o meigo.

O hip-hop atual tem esses ingredientes catárticos e por isso se tornou hegemônico no gosto dos jovens nascidos a partir de 1990, conhecidos como "millennials". Isso explica a adesão maciça de jovens ao hip-hop pós 1990 e em gêneros derivados. 

Desprezo por tipos de música mais antigos

Para estes jovens, o mundo se divide em AM/DM (Antes dos Millennials, depois dos Millennials). Quase tudo que existiu na cultura antes de 1990 (exceto o que for influente para o que os millennials ouvem, como Michael Jackson, altamente influente no hip-hop atual e fundador do costume atual dos concertos musicais de terem mais de 300 dançarinos no palco) não interessa, principalmente se não conter os elementos catárticos procurados pela juventude.

É perceptível o desprezo que os jovens dão a tudo que surgiu antes deles nascerem. Casos como o daquela jovem atriz de Every Witch Way, que adora rock alternativo inglês dos anos 80 são raríssimos. A música surgida antes de 1990, mesmo as mais catárticas, não possui aquilo que os jovens de hoje esperam. Os jovens de hoje se identificam muito com rappers mais recentes e é deles que esperam algum tipo de alento.

Mesmo compreensível, é impressionante o desprezo dos jovens pela música mais antiga, mais ainda se ela tiver mais qualidade e menos popularidade. O próprio estilo de vida dos jovens atuais não estimula o inteleto e a sensibilidade durante o lazer e por isso torna a maior parte dos jovens incapazes de entender e de gostar de algo que seja mais intelectualizado ou mais poético.

Por isso o desprezo por produções mais antigas na música e a adesão incondicional ao hip-hop produzido a partir de 1990, inspirado no gangsta rap e com o repentismo mais baseado no toast jamaicano do que nos antigos rappers estadunidenses (tipo Sugarhill Gang). O violento e pornográfico hip-hop americano parece ter mais a dizer para jovens insensíveis e incomodados.

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