Infelizmente, a crítica cultural é um fenômeno raro no Brasil. Além de raro, foi "sequestrado" pela direita, mais corajosa em verificar os erros de uma cultura malfeita e não raramente irritante, nascida do puro interesse de intérpretes e empresários culturais em ganhar muito dinheiro com o menor esforço. Poder comprar mansões caras e gigantescas pelo único esforço de soltar a voz numa canção medíocre e fazer danças ridículas na frente de um público deslumbrado.Estranho a direita ter ficado com a exclusividade de crítica cultural no Brasil, quando esta denuncia os podres de uma indústria cultural tipicamente capitalista. No exterior, a esquerda é que fica com esta função. Pois a cultura de mercado dialoga bem com os desejos gananciosos de ganhar muito e dominar a sociedade, sendo uma forma de dominação capitalista que quase sempre dá certo.
Por outro lado, ver a esquerda brasileira enxergando espontaneidade e criatividade artística em produtos de proveta dos escritórios de produtoras, como quem vê cabeleira em casca de ovo, é uma surpresa lamentável. Para os esquerdistas brasileiros, não existe cultura ruim, não existe cultura de proveta, a cultura é sempre espontânea, de qualidade e achá-la ruim e falsa é um conceito subjetivo, apenas uma questão de gosto.
Várias declarações dadas por esquerdistas brasileiros igualam aquela armação criada por algum mafioso artístico disfarçado de mecenas com o artista espontâneo que, por conta própria e sem apoio, quer apenas mostrar a sua forma de expressão artística, não raramente sem fins lucrativos, tendo outros empregos para se sustentar.
Esquerdistas também igualam uma barulheira irritante e malfeita com algo criado poeticamente, com a complexidade de arranjos que resulta numa imensa beleza. Aliás, tratam a arte como a beleza feminina, como se fosse proibido se referir a uma mulher evidentemente feia como "feia". Engraçado que os esquerdistas, quase todos casados, elogiam mulheres feias, mas só querem se casar com as bonitas. A não ser que eles achem feias as gatonas com quem se casaram.
Tentar analisar a cultura da mesma forma que se analisa a beleza de uma mulher é um erro, pois s dois merecem ser tratados de forma bem diferente. Tachar a crítica cultural como algo subjetivo é igualmente ruim, pois a cultura é um processo que envolve um progresso, um desenvolvimento. A cultura deve evoluir e se tornar melhor e é estranho que os esquerdistas brasileiros, que acreditam no progresso, discordem deste aspecto.
Imagine comparar o rabisco de uma criança de 2 aninhos com a obra de Van Gogh. Certamente, se pensassem como os esquerdistas brasileiros, não existiriam escolas de arte. Outro exemplo é definir que um office boy em início de carreira tivesse todas as condições de comandar sozinho uma super-corporação empresarial. Não dá.
Mas é assim que as esquerdas pensam. Rabiscos comparados a quadros de Van Gogh e office boys prontos para comandar imensas corporações. Isso faz com que a crítica cultural seja descartada pelos esquerdistas brasileiros que enxergam poesia e intelectualidade nas baixarias produzidas, por exemplo, por funqueiros grotescos e alienados.
Uma prova de que as esquerdas brasileiras são conservadoras nos assuntos de arte, cultura e lazer, enquanto os direitistas, normalmente conservadores em outros assuntos, dão um show de progressismo quando analisam a cultura, desejando que ela se evolua, se tornando um poderoso instrumento de desenvolvimento intelectual da humanidade. Enquanto as esquerdas se aprisionam no trogloditismo dos empinamentos de traseiro e nas sofrências dos cantores-cornos.
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