Falei em outra oportunidade que a burguesia controladora da humanidade encontrou nos algorítimos a maneira de impedir que pensamentos que pudessem ameaçar a estabilidade do sistema ganancioso que emperra o desenvolvimento do planeta.
Com a internet, haveria a chance de pensamentos diferentes, sobretudo os que revelam os bastidores do Capitalismo, além de ideias que desmontam mitos que reforçam o controle social (como religiosidade, futebol, bebidas alcoólicas, etc.). A burguesia precisava agir para evitar que a humanidade saísse do controle dos homens mais ricos do planeta.
Além dos algorítimos, era preciso encontrar outras medidas que garantissem, mesmo de forma relativa, o pensamento único. Pelo menos garantir que certos mitos permaneceriam no repertório de convicções de pelo menos 75% da humanidade, fazendo esta parcela acreditar e gostar das mesmas coisas. Como um gado que obedece o mesmo vaqueiro, indo rumo aonde seu condutor deseja. Mesmo que seja para o despenhadeiro.
Levando em conta a lei do menor esforço, que faz parte do instinto humano, era preciso estimular as pessoas a evitar meios mais complexos de consulta de informações.Uma medida que tem demostrado bem sucedida no processo de estabilização do pensamento único é a substituição do computador pelo celular.
Sendo um meio reduzido de uso, o celular possibilitou que pessoas abandonassem os blogues e sites de pesquisa e limitassem, seguindo a instintiva lei do menor esforço, seu uso às chamadas redes sociais, muito mais fáceis de usar e com maior interatividade.
A confusão entre real e virtual: o fortalecimento do pensamento único
As redes sociais trouxeram algo que soa muito positivo para quem detesta ler textos longos, que é a possibilidade de limitar a informação através de poucas palavras. Menos leituras, menos informação. Menos informação, mais distorcida é a compreensão da realidade. Esta distorção faz com que convicções se sobreponham aos fatos e cada um construa a realidade ao seu bel prazer.
O isolamento por coronavírus veio agravar algo que há muitíssimas décadas estava sendo bem sucedida no processo de manipulação mental da humanidade: a confusão entre o real e virtual. As religiões foram pioneiras nisso .
Até hoje a religiosidade, com todo seu surrealismo, exerce influência muito grande na humanidade a ponto de muitos acharem que seres irreais pudessem interferir no mundo real e melhorá-lo. Uma prova de que a confusão entre real e virtual, entre fato e opinião, não nasceu com a internet e é muito mais antiga do que se parece.
A confusão entre real e virtual é essencial para o pensamento único, pois pode-se manipular mentes com base nas convicções. Aprendemos a ser teimosos e tratamos nossas convicções como patrimônio. Não raramente, nossas convicções nos dizem muito sobre o que nós somos e por isso ganham um caráter identitário, transformando uma opinião ou gosto em algo tão importante quanto um RG ou CPF.
Essa mania de nos apegarmos a nossas convicções como se fossem barras de ouro ajudou muito a magnatas da comunicação e da informática de lançarem mão de meios que evitassem mudanças de pensamento, possibilitando que os ideais dominantes se mantivessem dominantes, mesmo com algumas alterações que no fundo não passam de meras atualizações. Pois em essência, continuamos tão medievais como nos tempos dos feudos e burgos.

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