Apesar da música estar dominada quase hegemonicamente por pós-adolescentes dançarinos e suas músicas vazias de conteúdo em apresentações cheias de dançarinos em climas de pseudo-erotismo - para um público menor de idade? - e rappers mais recentes de hip-hop, quando o gênero se encontra em franca decadência, há espaço, mesmo escasso para a música de qualidade.
Ano passado, muita gente não soube, mas vários artistas sérios lançaram bons álbuns. O Dr. Google lhe ajudará a saber e conhecer os excelentes álbuns de 2019. Este ano, com o isolamento, parece ser uma época boa para se preocupar em gravar mais do que se apresentar - se bem que shows caseiros pela internet ten feito muito sucesso - tendo a oportunidade de gerar novos álbuns.
Este ano, antes da chamada quarentena, foi lançado o novo álbum da banda estadunidense Pearl Jam, oriunda do chamado "movimento grunge". Apesar de surgida no movimento, a Pearl Jam nunca foi de fato grunge, tendo a sua originalidade mais a ver com a necessidade de atualização do rock básico dos anos 70. O álbum que a banda lançou anos atrás em parceria com o cantor canadense Neil Young serve de confirmação para este fato.
O tal álbum da banda, Gigaton (Republic/Universal Music), é um oásis no mar de mediocridade sonora dominante. Empolgante, alegre em alguns momentos e reflexivo em outros, consegue passar para os dias de hoje o espírito do verdadeiro rock. Ouvindo o álbum, dá até para concordar com aqueles que defendem a tese de que o rock não morreu.
Há tempos não ouvia algo tão agradável que pudesse ser produzido nos últimos anos. É bem variado, evitando o risco do álbum parecer chato para uma juventude que não quer mais saber de rock, principalmente tocado por gente com mais de meio século de idade. Por falta de tempo - escrevo este texto durante um trabalho caseiro - e para não alongar o texto, não analisarem faixa por faixa. Cada um que faça a sua análise durante a audição.
Gigaton é muito melhor que o já excelente Ten (Epic/Sony Music), de 1991, que catapultou a banda para a fama. Motivo suficiente para despertar curiosidade para a audição do álbum. O álbum é bem melódico e o peso sonoro, apesar de presente, está equilibrado com as outras qualidades do álbum. Até mesmo uma canção de ninar - sem pieguice e bem bonita - Buckle Up, está no álbum.
Parabéns a Eddie Vedder e sua turma por ter lançado um álbum perfeito, que na minha opinião pode ser o melhor de 2020. A experiência conquistada em torno de 30 anos de atividade e o acerto em beber em fontes certeiras, como o bom rock clássico dos anos 70 ajudou muito na qualidade deste ´-album, feito para ser ouvido sem pular faixa e repetidamente. Maravilhoso! Arrume um jeito de ouvir.

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