Esquerdistas brasileiros vivem dizendo que querem mudar o mundo. Mas isso é papo furado. No Brasil, a esquerda é conservadora. Menos que a direita, mas ainda conservadora. Até porque brasileiros são conservadores. E a esquerda brasileira é acima de tudo... brasileira!
Até as vidas particulares de esquerdistas mais conhecidos é bem conservadora, seguindo rigorosamente todo o roteiro imposto pelo sistema capitalista: se empregar, casar, ter filhos, se reunir em bares, ter uma religião, ter um time de futebol, carro, celular, cachorro, etc. Exatamente conforme o manual escrito pelo grand mondé e divulgado amplamente pela mídia corporativa.
É nítido que o desejo de mudança se limita a assuntos relativos a economia e política. Até assuntos sobre causas identitárias estão vinculadas a estes aspectos. Porque nos costumes sociais, não se vê um único esquerdistas propondo mudanças radicais que possam realmente transformar a realidade.
O apego a valores tradicionais, considerados positivos é um sintoma bem evidente do conservadorismo esquerdista. Gostos, hábitos, a função de cada pessoa na sociedade. Tudo permanece como há 100 anos atrás, com raríssimas alterações. Muito mais atualizações do que alterações de fato. Para muitos, manter estes valores é manter a essência humana.
Isso acontece também pelo fato de vários políticos, jornalistas e influenciadores de esquerda serem de classe média alta (classe média, segundo o sociólogo Jessé Souza). Esta classe é tradicionalmente conservadora e por viver com um certo conforto, acredita que uma mudança de mundo lhe forçará a abrir mão deste conforto. Por isso, nunca mudam.
Eu tenho uma tese bastante polêmica. Claro que isso é um assunto que merece ser amadurecido, portanto não vou me aprofundar nisso agora. Mas acho que o Brasil não tem esquerda. A esquerda é o verdadeiro centro. A direita moderada, que se acha "centro" é a direita moderada. A extrema direita é esta aberração que estamos conhecendo agora através de Jair Bolsonaro.
E a verdadeira esquerda brasileira? Aonde, meu filho? Esquerdas deveriam desejar mudanças. Não se muda um sistema aos pedaços. Ou muda-se tudo, ou mantém-se como está. Não seria nada mal os esquerdistas brasileiros se assumirem como centro. Talvez desta forma possam se proteger melhor das agressões dos ignorantes de extrema-direita, que vêem Esquerdismo até no vácuo.
Mudanças? Somente na política e na economia
Para quem estuda e se informa de fato, sabe que os governos do PT nunca foram socialistas. Praticaram o Capitalismo de Maynard Keynes. Um Capitalismo menos agressivo e que tenta ser justo com os mais humildes, garantindo pelo menos o que é necessário para uma vida com dignidade. Eu estudei Keynes e posso confirmar isso.
Mudanças feitas aos pingos não são algo bom. O fato de Lula nada ter mudado de forma explicita deu uma ilusão de que nada mudou, fazendo com que sua gestão fosse atacada. Como as mudanças não foram evidentes, ficou a impressão de que Lula estava enganando a todos - o que foi reforçado pela mídia corporativa - pois as mudanças realmente feitas não eram aparentes.
Mas Lula não estava enganando. Apenas estava realizando as mudanças que pretendia fazer. Mudanças políticas e econômicas. Mesmo as mudanças sociais perceptíveis estavam vinculadas a estes dois aspectos. Pois continuávamos - assim como continuamos - com os mesmos gostos, os mesmos costumes, as mesmas crenças e as mesmas formas de nos relacionar. Exatamente como os capitalistas brasileiros estipularam no começo do século XX.
Brasileiros odeiam grandes mudanças. Sabendo disso, porque os esquerdistas brasileiros desejariam mudar? Distribui-se renda, coloca-se esquerdistas no poder. E só, somente só. O resto, deixe como está. Para que a direita possa um dia reclamar o seu lugar no poder.
Até porque, mesmo com a esquerda em campo, é a direita que faz as regras.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.