Uma coisa que temos que admitir: brasileiros são conservadores. Nesta postagem, eu não falo do conservadorismo político, conhecido como Direita. Falo do conservadorismo em geral, que é observado também nas esquerdas.
Falo da necessidade de manter o sistema como está, com todas as suas regras e valores, toda a sua hierarquia, apenas - como no caso das esquerdas - abrindo as portas para que mais pessoas possam usufruir deste mesmo mundinho consagrado pelo Capitalismo tradicional.
Aliás, não dá para esperar grandes mudanças em uma sociedade conservadora, presa a estereótipos, presa a valores, gostos, ideias, convicções, crenças, etc.. Por isso mesmo que a ideologia que chamam de esquerda brasileira é tão conservadora. Desconfio que, por isso, ela seja o verdadeiro centro. Mas isso é um assunto complexo, para outra oportunidade.
Brasileiros odeiam rupturas. Gostam da vida que possuem, desde que tenham mais dinheiro e mais tempo livre para usufruir este dinheiro. Modernidade? Só para as tecnologias. A tecnologia de nosso cérebro interior deve permanecer arcaica, com todos os mofos e teias de aranha que tem direito.
Devemos manter este mesmo mundinho, até porque ele nos satisfaz. Nunca deu certo mas é o que dá prazer e mantém o povo unido. Unido, em termos. Fazendo a mesma coisa seria a melhor expressão. Já que se temos que imitar a maioria para obter aprovação social é porque não existe a verdadeira união, por afeto e por afinidade natural. Para muitos, uma afinidade artificial resolve.
Desejo por aprovação social favorece o conservadorismo brasileiro
Afinidade artificial é quando você faz algo que você não curte muito ou finge fazer para obter aprovação social. A cerveja tem gosto tuim mas vamos beber porque ela traz aprovação social. Futebol é um saco, mas vou torcer durante quase duas horas porque traz aprovação social. Nunca vi Deus na vida e nem sei como ele é, mas vou acreditar nele porque traz aprovação social.
Aprovação social: é isso que força o conservadorismo do povo brasileiro.A vida social vem antes de tudo. Antes até mesmo do prazer. Ah, eu gosto da banda de rock alternativo inglesa XTC! Mas quase ninguém no Brasil conhece o XTC! O jeito é engolir a farofada poser do Guns'n'Roses. Pelo menos o Guns'n'Roses traz aprovação social.
Ou seja, tenho que não somente aderir a um troço incômodo em troca de aprovação social como devo abrir mão do que realmente me dá prazer, porque o que me dá prazer não traz aprovação social. Não vou fazer amigos curtindo aquela banda alternativa que diz o que eu quero ouvir. Pena.
Mas o que realmente é ruim no conservadorismo do brasileiro é o fato de que ideias e costumes antiquados vão permanecendo, como lodo em praia abandonada. O Brasil é um país retrógrado, que nunca conseguiu se evoluir. Claro que o fato de ser um povo jovem, de apenas 520 anos, completos em abril sem a mínima comemoração (fato compreensível) justifica a imaturidade.
Conservadorismo e espírito de manada vêm de nossa imaturidade
O nosso conservadorismo e nossa priorização de vida social em detrimento de outras coisas são aspectos que têm muito a ver com a nossa imaturidade. Como ainda não sabemos "andar sozinhos", precisamos da ajuda dos outros para viver em uma sociedade injusta e que se recusa a evoluir. Aliás, isso cria um círculo vicioso: a nossa não-evolução é causa e consequência de nosso conservadorismo.
Ao mesmo tempo que o fato de não sermos evoluídos nos obriga a sermos conservadores e adotarmos o "jeitinho" para resolver os problemas que recusamos a solucionar de forma mais racional, este comportamento cria uma estagnação coletiva que nos impede de evoluir, nos aprisionando no atraso crônico.
Muita gente reclama porque o Brasil nunca evolui e põe a culpa nos pobres e na sua existência. Mas os pobres não são causadores deste atraso e sim vítimas. O que causa o nosso atraso é a teimosia em nos aprisionar a valores antigos que nos parecem positivos e por isso devem ser preservados e defendidos de forma ostensiva.
Todas as nossas lutas diárias são para defender o nosso direito de aderir a estes valores, que tem muito a ver com os nossos objetivos de vida. Somos medíocres e queremos viver iguais a maioria, pois a aprovação social é a nossa principal meta e divertir sozinho nos parece chato pra cacete.
Nos agarrara a valores tradicionais arcaicos, mas positivos e a necessidade de ostentar a nossa adesão a eles (tipo ostentar preferências por times de futebol, santos religiosos e fotos em que aparecemos bebendo cerveja ou alguma outra bebida alcoólica), nos faz sentir incluídos e preparados para receber em troca o benefício que só poderá ser adquirido mediante aprovação social, por depender de decisão alheia (como namoro, emprego, etc.).
Brasileiros, somos conservadores, sim. Admitamos!
Temos que admitir., somos conservadores. Por mais que aprendamos novas gírias e novos modismos do momento, queremos ficar intelectualmente estacionados. Os modismos são a maneira de compensar o nosso conservadorismo. Aderimos a uma nova onda para pensar que estamos nos evoluindo. Mas não estamos. Nem mesmo as esquerdas brasileiras que falam, em vão, em progresso.
A evolução tecnológica é outra coisa que compensa o nosso conservadorismo. Nem o fato de sabermos dominar a tecnologia serve como impulso para mudanças. Conservadores, mesmo os mais arcaicos, sabem dominar tecnologias mais modernas. Até porque as máquinas devem evoluir para que seres humanos não evoluam (teoria da Devolução). E assim tem sido em nosso país.
Isso tudo explica porque nunca evoluímos. E nem vamos evoluir. Nossa sina é sermos conservadores, mantendo velhos valores sociais e culturais. Até que um gigantesco despertador, um cataclismo sem precedentes, nos acorde desse sonho lindo e nos obrigue a rever esses valores.
Acho que nem esta pandemia tão assassina, vai servir como este gigantesco despertador. O gigante nunca acordou. E nem vai acordar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.