Alguns otimistas de plantão publicam fotos com casulos que se transformam em borboletas após um período, como uma metáfora do tempo que passamos. Mas creio que não sairemos desses casulos como borboletas, mas como venenosas e pavorosas lacraias. Pelo que vejo os fatos, a humanidade tende a piorar após este período e os motivos podem ser muitos e os mais variados.
A doença, somada a crise econômica inevitável que passamos (e que não seria amenizada com o fim da quarentena, do contrário que os magnatas, isolados em suas mansões, pensam), além de tornar bens e direitos mais escassos, limitar a nossa liberdade, vai despertar desconfiança nas pessoas. Como diz naquela música de Paulinho da Viola, nos já longínquos anos 70, "irmão não reconhece irmão".
Nos últimos anos, a ganância e o sadismo tem crescido bastante. O século XXI tem surpreendido a todos porque na previsão supostamente certeira de futurólogos e seitas religiosas, seria a época em que aceleraríamos a nossa evolução, nos tornando mais inteligentes e mais altruístas. Mas algo deu errado no caminho, ou a tese de evolução humanitária foi uma ilusão? Fico com a segunda opção.
Na verdade, do contrário que pensamos, somos ainda muito jovens como humanidade. Ainda somos animais aprendendo a ser humanos. Ainda não sabemos como utilizar esta máquina magnífica chamada cérebro. Preguiçosos em debater e ignorantes em argumentar, ainda preferimos ofender, agredir e até matar. O outro sempre é visto como ameaça e reagimos sempre da pior maneira.
Achamos que a intelectualidade é chata, coisa de gente mal humorada. Recusamos a pensar porque é difícil. Sempre preferimos a fé do que a razão, pois a fé além de não exigir esforço, desperta nossos instintos de pieguice irresponsável. Além de claro, a fé nos deixar enganar. Somos todos trouxas, mas trouxas de Deus. E nada mais lindo que sermos trouxas de Deus, não acham?
Por sermos trouxas de Deus, queremos mais religiosidade. É mais do que comprovado que a religiosidade é inútil para a evolução humanitária. Ela nunca resolveu os problemas crônicos desde o início da humanidade. Porquê? Quanto mais acreditamos, menos raciocinamos.
Quanto mais acreditamos, mais jogamos para seres surreais sem comprovação rela de existência, a responsabilidade de resolver os problemas que recusamos a resolver. Problemas que poderiam ser resolvidos com um diálogo. Problemas que seriam resolvidos com o fim de nossa ganância. Gostamos de nos sentir melhores que os outros e ter mais seria um atestado disso.
E vamos continuar gananciosos, pois um defeito coletivo não desaparece de uma hora para outra. Será que teremos que ver morrer 100 milhões de brasileiros para aprendermos o que é sentimento de humanidade? Acredito que sim, pois o Brasil tem problemas demais e dos piores e quase ninguém - salvo escassas exceções - se dispôs a se livrar da ganância e da vaidade.
Não. Não é pessimismo. Eu não estou pessimista. Me baseio em fatos. Me baseio no que vejo ao redor. Não vamos melhorar. Até acho que vamos piorar. Acho? Não. parece certo que isso aconteça. Nossa desconfiança vai aumentar. A escassez de bens nos fará esticar as pernas para os outros caírem.
Ofenderemos mais, agrediremos mais, mataremos mais. Tudo porque não conseguimos iniciar a porra de uma reles conversa, que poderia mudar tudo em poucos minutos. Mas não sabemos falar, ainda somos animais tentando ser gente. Animal berra, grita, grunhe. É o que sabemos fazer no momento. Pensar é coisa de gente chata e de mal com a vida. E os que estão bem de vida? Resta grunhir!
Infelizmente é o que eu vejo para os próximos anos. Quase cinquentão, meu otimismo foi definitivamente para o ralo. Há poucos anos para viver. Anos insuficientes para ver um pingo de progresso na humanidade. Sim, ela faliu. Resta a nós grunhirmos junto, todos em um só berro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.