É estranho que algo que resultaria em um relacionamento estável, compartilhando problemas, educando filhos e administrando o cotidiano, comece como uma brincadeira meio infantil. As pessoas, na fase inicial de paquera, agem como perfeitos imbecis, o que dá oportunidades gigantescas de cometer erros na escolha dos parceiros.
Mesmo que no início não se tenha compromisso e nesta fase o relacionamento se encontra na condição de teste, deveria haver uma certa seriedade no processo de conquista. A escolha de um parceiro deveria levar em conta um nível cada vez maior de afinidade, pois caso resulte em matrimônio, é com esta pessoa que você passará boa parte do tempo debaixo do mesmo teto.
Para se ter uma ideia de como ninguém leva a sério a conquista amorosa é só reparar no lugar imposto como lugar de paquera: bares, boates e lugares semelhantes. Uma espécie de "parque de diversões" para adultos, onde a embriaguez faz o papel de misto de "montanha russa" com "trem fantasma". Como analisar bem a personalidade de alguém com a cara cheia e a lucidez ausente?
Para piorar, muitos dos relacionamentos dão sinais bem claros de que foram pessimamente escolhidos. O aumento da violência doméstica tem servido de comprovação. Relações onde os cônjuges brigam violentamente, não raramente resultando em mortes e danos não somente para os próprios como para parentes, amigos e quaisquer envolvidos.
Mas mesmo com estes relacionamento danosos, as pessoas continuam a repetir o erro de infantilizar a fase inicial de conquista amorosa, com conversa mole e sem analisar de forma racional a personalidade do pretendente, adiando para depois do matrimônio a oportunidade de conhecê-lo melhor. Mas aí será tarde demais e danos fatais podem ser possíveis.
Porque as pessoas não levam a sério o processo de conquista? Porque a paquera tem que ser tratada como uma brincadeira? Porque as pessoas insistem no estereótipo de que pessoas bem humoradas são sinônimo de pessoas bem intencionadas? Fascista não tem seus momentos de descontração quando tudo está bem para o lado dele? Ou vamos ficar nessa de estereótipo do vilão de desenho animado?
Acho que a paquera deve levar em conta desde o início o que se pretende com o relacionamento. Os lugares de paquera e os métodos de conquista deveriam levar isso em conta. Quer alguém intelectualizado? Paquere em biblioteca. Quer alguém romântico? Paquere em floriculturas. Quer alcoólatra? Paquere em bar. E assim por diante.
Seria uma forma ótima de evitar erros na escolha de um companheiro. E uma forma de tentar garantir um relacionamento sadio e que sirva de um bom aprendizado de vida para o casal a ser formado.

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