Eu sou esquerdista. Mas não é por ser esquerdista que tenho que aplaudir os erros cometidos pela esquerda brasileira. Aliás a esquerda brasileira é muito ruim. Mas mesmo sendo ruim não vou trocá-la por um Capitalismo que é sempre péssimo. Prefiro lutar por uma esquerda melhor.
Um dos cacoetes da esquerda brasileira é exaltar formas capitalistas de entretenimento. Ingenuamente, esquerdistas acreditam que o entretenimento é um território que não foi tocado pelo dedo podre do Capitalismo. Baseando em estereótipos, costumam rotular as tendências com base no público e não em que cria as obras.
Noto que há uma espécie de apologia a decadência cultural, além de uma ênfase ao consumismo. Como se cultura de mercado fosse a cultura em estado puro e consumismo fosse sinônimo de qualidade de vida. Esquerdistas são bons em política, mas péssimos em analisar cultura.
Obviamente isso acontece por boa fé. Acredito que isso vem de um conceito equivocado sobre cultura. Capazes de analisar a complexidade das relações políticas, os esquerdistas frequentemente se esquecem que a mesma complexidade é estendida para a cultura.
Desde os anos 90, as elites descobriram que a cultura é uma excelente forma de dominação. Muito mais eficiente, por ser mais convincente, descontraída e não depender de armas e agressividade para imobilizar multidões Através da dominação cultural, conceitos distorcido vão se espalhando e as pessoas acabam tendo uma visão míope da realidade que os cerca.
E não falo apenas de manifestações como música, cinema e televisão. A religiosidade e o esporte estão no pacote da dominação cultural. Ontem mesmo um portal de esquerda colocou como manchete principal a vitória da "seleção" nas Olimpíadas, em um texto passional e alienado. Parecia que havíamos ganhado uma guerra política e não um joguinho de bola. Temer & CIA agradecem.
Mas é na música que é mais nítida a obsessão das esquerdas na decadência cultural. Acreditando que a indústria cultural é a cultura propriamente dita, não se cansam de defender tendências duvidosas por acreditarem que "artistas" nascidos nas periferias seriam incorruptíveis ao entrarem dentro de esquemas midiáticos de gravadoras, produtoras de shows e empresas de comunicação. Vários ainda mais ingênuos acreditam que os populachos estejam fazendo uma "ocupação rebelde" ao assinar contratos com estas empresas midiáticas.
Os esquerdistas além de ingênuos, se esquecem de analisar a qualidade das obras que defendem. Quem entende de cultura sabe muito bem que muitas dessas tendências defendidas são claramente ruins, feitas por gente sem vocação artística e que está nessa só pelo dinheiro. Wesley Safadão e Anitta estão riquíssimos e a único traço da pobreza original deles é a tosqueira de suas composições, polida e moldada para consumo pelas empresas que os contrataram.
Isso fora o fato de que as tendências defendias pelas esquerdas, seja na cultura, no esporte ou o que quer que seja, são as mesmas defendidas pela mídia criticada por estas esquerdas. Não adianta falar mal da Globo e da Veja se fazem apologia da mesma música brega e do mesmo futebol já exaltados por estes citados meios de comunicação. Isso soa uma contradição.
Além disso, as esquerdas naturalizaram a relação entre o mercado capitalista e arte e cultura, como se a submissão as rígidas regras do mercado de entretenimento não atrapalhassem nem impedissem a espontaneidade artística. Criadores de cultura precisam comer, morar e pagar contas. Na ânsia de receber dinheiro, vale tudo, até mesmo produzir a "cultura" mais imbecil, rasteira e malfeita.
Isso fora o fato de que as tendências defendias pelas esquerdas, seja na cultura, no esporte ou o que quer que seja, são as mesmas defendidas pela mídia criticada por estas esquerdas. Não adianta falar mal da Globo e da Veja se fazem apologia da mesma música brega e do mesmo futebol já exaltados por estes citados meios de comunicação. Isso soa uma contradição.
Além disso, as esquerdas naturalizaram a relação entre o mercado capitalista e arte e cultura, como se a submissão as rígidas regras do mercado de entretenimento não atrapalhassem nem impedissem a espontaneidade artística. Criadores de cultura precisam comer, morar e pagar contas. Na ânsia de receber dinheiro, vale tudo, até mesmo produzir a "cultura" mais imbecil, rasteira e malfeita.
Acho que a esquerda deveria abrir os olhos e ouvidos e perceber que a "cultura" que passaram a defender é capitalista, feita ao gosto da elite, pomposa e bem-acabada, mas essencialmente medíocre e tematicamente alienante até quando brinca de fazer "canções de protesto".
Ainda espero no Brasil uma cultura verdadeiramente de esquerda, de qualidade evidente e com o compromisso com a intelectualidade e não com a gananciosa industria cultural que a produz.

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