As esquerdas brasileiras passaram a priorizar as causas identitárias. E de forma convicta, decisiva. Já chagaram a publicar textos batendo o martelo na decisão de colocar certa urgência nas causas identitárias. As causas trabalhistas, fundadoras do Socialismo, foram solenemente descartadas. Cada um que se vire se quiser ter salário digno para viver e pagar as suas contas.
Urgente mesmo é defender as causas identitárias. É defender cada classe isolada a ter dignidade mesmo sem ter um só tostão no bolso. É idolatrar ídolos de barro, mortos, sem dar a mínima as suas causas, cultuando-os como mero santos, desejosos de que ressuscitem das catacumbas para fazer a luta que recusamos a fazer.
Temos o agora suspeitíssimo Black Lives Matter (que segundo Pepe Escobar, é controlado pelo Deep State estadunidense, que controla tudo que acontece no mundo, tal e qual os Iluminati das lendas históricas), que une todas as classes em prol do fim do racismo, se esquecendo que os negros (ou pretos?) sofrem pelos poucos recursos que possuem.
Temos a causa gay, comemorada hoje, onde é dado aos homens o direito de se vestirem de mulher e se maquiarem. Tudo bem, até aí concordamos. cada um veste como gosta. Mas, resta saber de onde os homens vão arrumar dinheiro para comprar roupas e maquiagens caras, se ninguém mais tem dinheiro e as esquerdas enfiaram as causas trabalhistas para o fundo das gavetas.
Apesar de priorizarem as causas identitárias, se apossando delas como se fosse a essência da essência do Socialismo brasileiro, saibam os esquerdistas que as causas identitárias são muito bem vindas para os braços da direita moderada que se auto-rotula de "centro", cujo maior guru é ninguém menos que o eterno tucano velho Fernando Henrique Cardoso. Sim, ele mesmo! O Príncipe da Privataria!
São muitas as oportunidades que a direita moderada possui para defender causas identitárias. Como elas não envolvem redistribuição de renda, elas são facilmente defendidas por quem não quer ver ricos menos ricos e pobres menos pobres. Até porque existem negros, gays, mulheres e outras classes ricas, cheias de dinheiro, tão seguras quanto os brancos com mesmo padrão de vida.
A própria direita moderada se empenha em controlar, mesmo secretamente, os movimentos identitários. O Capitalismo descobriu que agradar as classes oprimidas (quando elas tem dinheiro para gastar) é um negócio extremamente lucrativo. Celebridades descobriram que aderir a essas causas aumenta a popularidade e todos os benefícios resultantes destas.
Ou seja, exaltar e defender causas identitárias nada tem de esquerdista: a direita já lançou esta ideia há tempos. Apenas a extrema direita (fascismo, nazismo, bolsonarismo, etc...) reprova as causas identitárias, por acreditar que apenas certos tipos de seres humanos merecem algum tipo de reconhecimento.
A direita moderada, representada aqui pelo PSDB, DEM, PMDB e ideólogos afins (como o empresário e aspirante a político Luciano Huck) adora causas identitárias. O que mostra que se as esquerdas continuarem colocando estas causas como prioridade, acima das causas trabalhistas, elas poderão ser engolidas pela direita moderada, representante política do Grande Capital e que no fundo sempre governou o país.

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