Há um cacoete da maioria das pessoas de achar que tudo é cultural e eterno. Na verdade elas se referem ao entretenimento, isto é, a simples diversão. Mas as pessoas gostam de usar rótulos e justificativas nobres para coisas banais e fúteis na tentativa de legitimá-las.
Há muitos anos as chamadas festas juninas (festas caipiras) já não fazem mais sentido. Até certo ponto chega a ser meio ofensivo, pois se baseiam na imagem estereotipada do homem do campo, tido como burro, grosseiro e cafona. Apesar de alguns de fato serem assim, há muitos que não correspondam ao estereótipo e que sofrem preconceitos pelo simples fato de morarem em cidades rurais.
Em tempos de agro-negócio e de desenvolvimento das cidades interioranas, os estereótipos do caipira cultuados nas festas juninas já não existem mais. Muitas cidades do interior já se desenvolvem mais que os grades centros, estes bastante saturados e alguns em franca decadência (como Niterói, no estado do RJ). O acesso à tecnologias de comunicação tem dado oportunidade para o homem do campo se intelectualizar e melhorar o seu comportamento social.
As festas juninas realizadas nas escolas podem até servir como meio de sociabilização mas como educação cultural são um grave equívoco. Serve mais para satisfazer o orgulho e os interesses dos pais e adultos envolvidos do que das crianças que participam, pois estas não raramente nem fazem ideia do que estão fazendo aí. Mas como não é pedofilia nem trabalho infantil, ninguém vê crueldade em explorar crianças para satisfazer orgulho paterno.
Quanto aos adolescentes e adultos, as festas juninas servem apenas como entretenimento e forma de sociabilização. Mulheres principalmente. Mulheres, que estranhamente são quase unânimes em gostar de festas juninas e de forró, só gostam de paquerar em certas situações, e esta é uma delas.
Festas juninas são formas de cultura ou mero entretenimento?
Mas chamar o ato de se divertir como "cultura" é um pouco de exagero. Mesmo que cultura seja a manifestação de um povo, não creio que ir se divertir para passar o tempo e satisfazer alguns instintos possa ser definido como tal. Festas juninas, assunto desta postagem, representam mera forma de entretenimento, diversão para extrair prazer e passar o tempo.
Não se pode defender o direito de beber, dançar e namorar como se defende algo importante como obter um conhecimento, o que seria a proposta de uma cultura. Até porque não é necessário apelar para a "cultura" para se defender o justo direito de se divertir. Diversão e cultura são coisas bem diferentes. Misturá-las tem sido um problema que tem feito com que manifestações artísticas caíssem de qualidade.
Para mim, é uma bobagem usar rótulos culturais para se defender uma forma de diversão. Divertir é algo muito bom, mas sem a necessidade de rótulos nobres para ser validado. As festas juninas deveriam assumir seu caráter lúdico e dispensar o aspecto cultural. Não dá para transmitir conhecimento com crianças vestidas de caipiras estereotipados ou com casais que dançam com as pernas entrelaçadas.

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