O maior erro da indústria fonográfica foi matar o vinil. Quando ele existia ele era mais barato que o CD e em tempos de crise, o vinil poderia manter a renda das gravadoras. Além disso ela evitaria a pirataria já que aquelas máquinas de fabricação de vinis são caras e enormes e estavam acessíveis a apenas uma minoria.Mas não. Numa paranóica tecnológica (convêm lembrar que EUA e Europa não acabaram com o vinil) típicamente brasileira, em que há a idéia de que acelerando a "evolução tecnológica" iria se chegar no primeiro mundo, resolveram degolar o formato. Degolaram também o K7, mas como as fitinhas sempre foram uma porcaria, ninguém (nem eu) sente mais saudade delas. Argumentaram que o vinil era de má qualidade, pititi, patatá e que o CD era "O" formato.
Para isso, propositalmente começaram a diminuir a fabricação de títulos em vinil, restringindo a títulos mais populares, jecas. O objetivo era induzir o Zé-povo a aderir ao então novo formato e forjar a queda de vendagem do vinil.
Mas como vivemos em época de "renascimento tecnológico" e existe o fato de que o CD (assim como o rádio FM) está completamente assimilado pelas classes mais baixas, resolvem ressuscitar o vinil, como "objeto cult". Numa inversão de valores, resolveram relançar o formato como uma coisa de"classes mais altas" e "gente intelectualizada". E graças a esses rótulos: pimba! Tascaram preços absurdos.
Pra quem não sabe, quem comprar vinil novo a partir de agora, vai pagar cerca de R$100, eu disse R$100 para obtê-lo. Ué, o vinil não era de "qualidade inferior" ao CD? Como vou pagar mais por um produto considerado inferior? E mais: se os já abusivos R$35 que são cobrados por um bom CD já espantam compradores, como é que alguém vai desembolsar R$100 por um vinil? Só se morrer de fome.
Portanto, a indústria fonográfica está cometendo um festival de trapalhadas ressuscitando o vinil dessa maneira. É melhor que relancem o formato a R$1, como ocorre nos sebos e num instantinho os pirateiros vão à falência e a crise das gravadoras acaba.
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