Na onda de projetos como o Band-Aid e sua versão americana, USA for Africa (que por incrível que pareça não foi o pioneiro nesta iniciativa), os organizadores do Banda-Aid (os músicos Bob Geldof, do Boomtown Rats e que atuou no filme The Wall, e Midge Ure, do Ultravox) decidiram se fazer um festival supostamente filantrópico chamado Live Aid, unindo partes dos elencos dos dois projetos.
O objetivo era angariar fundos para ajudar projetos filantrópicos em países da África. Mas segundo dizem, em todos estes projetos aconteceram desvios de dinheiro que na verdade foram parar nos cofres de integrantes dos próprios projetos, incluindo alguns magnatas.
Bom, mesmo após aquele projeto pomposo mas cheio de boas intenções, vemos a África cada vez mais abandonada, com governantes gananciosos e submissos cada vez mais às antigas colônias, apesar da aparente independência política. O continente segue ainda como o lugar mais miserável do planeta, impedido pelas grandes potências a se desenvolver.
Porque ao invés de fazer um concerto para celebridades musicais muito bem de vida juntarem esmola para dar aos pobres da África, não fizeram uma campanha para que as forças econômicas deixassem a África se desenvolver, usufruindo os vastos recursos naturais que o continente possui? Parece que a ideia da esmola parece mais atrativa em matéria de marketing.
O tal "Dia do Rock" e o festival eclético de música
Ontem, as redes sociais foram invadidas por uma horda de "roqueiros de ocasião", gente que normalmente detesta rock ou se limita a cultuar os medalhões mais famosos, postando mensagens piegas e pedantes em homenagem a data, só para atrair simpatia alheia. Vários exagerando na suposta importância da data que homenageia um gênero cada vez em decadência vertiginosa.
A data, que só é comemorada no Brasil, se revelou uma farsa. Para começar pelo nome, "Dia Mundial do Rock", para fazer com que os brasileiros alienados pensem que a data seja comemorada no mundo todo. O modo como a data foi escolhida também invalida mais ainda a sua alegada importância.
Ela surgiu por iniciativa de radialistas da 89 FM, uma rádio medíocre supostamente especializada em rock que trata o gênero da mesma forma que uma quitanda da esquina vende uma melancia. Pois nada do que foi feito na 89FM estava no nível de uma Fluminense FM, esta sim, realmente especializada, tratando o rock com o respeito que merece.
Além deste fato, que já é suficiente para não se levar a data a sério, ela foi inspirada justamente no citado Live Aid, que não foi um festival de rock e sim eclético. Se tivessem escolhido a edição original do festival de Woodstock como referência, faria mais sentido, pois até os não-roqueiros do festival de 1969 eram fortemente influenciados pelo rock. O que não acontece no Live Aid.
Mesmo a intenção de Geldof e Ure não era a de fazer um festival de rock. O ecletismo do Live Aid era de propósito. Parte dos participantes dos dois projetos Band Aid (predominado por roqueiros) e USA for Africa (predominado por não-roqueiros) estavam no festival, que era evidentemente eclético. Havia música para todos os gostos e sua relevância para a cultura rock é nula.
O fato dos brasileiros elegerem a data como escolha para o "Dia do Rock" é mais uma demonstração de alienação do povo que é considerado um dos mais burros do mundo. A falta de informação somada a pieguice e o subjetivismo típicos do brasileiro, fizeram todos aceitarem tranquilamente a data, apesar do Live Aid - que completou ontem 35 anos - nem ter sido citado.
Sinceramente, preferiria a escolha de outra data. As comemorações de ontem foram patéticas! Muita língua para fora, muito sinal do capeta e nada de cultura rock de fato. As postagens de ontem chegaram a irritar de tanta pieguice e pedantismo. Ainda mais vindas quase todas de quem costuma detestar o rock...

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