É mais do que perceptível que o sistema, através do senso comum está interessada em trocar o irritante e malfeito "funk" brasileiro e o outrora revolucionário rock de lugar. O objetivo é tratar o "funk" como algo sério, importante e capaz de melhorar a música brasileira e o rock como uma bobagem festiva a estimular as pessoas a botarem a língua para fora e fazer o sinal do capeta.Trocar o prestígio do "funk" e do rock, tornando sério algo realmente patético e ridicularizar um gênero que contribuiu muito para a evolução cultural pode parecer algo inócuo, mas tem um objetivo: alienar ainda mais as já bastante alienadas massas.
Pois levando a sério algo ridículo e ridicularizando algo que deveria ser levado a sério é um meio de evitar a conscientização popular, fazendo com que, nos momentos de esclarecimento, as pessoas se tornem ridículas burras, enquanto se ri da cara daqueles que tem algo sério a nos dizer.
Há campanhas intensas para que o "funk" seja levado a sério. O gênero, inclusive, é o primeiro a usar como estratégia de marketing o vitimismo.O "funk" brasileiro é o primeiro gênero musical que quando mais reclama de suposto "preconceito" (na verdade, a rejeição à sua irritante mediocridade), mais vende discos e bilhetes para shows. Embora seus intérpretes desapareçam dos holofotes após ganharem o desejado dinheirinho e melhorarem de vida.
Do outro lado, o rock, cada vez mais impopular, ganhou um dia para ser lembrado, principalmente pelos que detestam o gênero, dando a oportunidade para estes de um dia posarem de falsos rebeldes fingindo amar o gênero que odeiam para dizer, de maneira hipócrita, para a sociedade que "desejam mudar o mundo". E nunca mudam.
Curioso que este tal dia, que só é comemorado no Brasil (tinha que ser!), foi criado por uma rádio farsesca de rock, inspirado em um evento não-roqueiro, um festival de música bastante eclético chamado Live Aid, cuja suposta filantropia não passou de conversa para boi dormir, pois toda a renda destinada aos pobres foi solenemente desviada para os já lotados cofres de magnatas. Tudo errado.
Nesta data, os brasileiros agem como verdadeiros imbecis, tratando o rock, que se tornou música de velho, dado ao desprezo dado pelos jovens que só querem "funk" e "sertanejo", como se fosse uma música infantil. Erro reforçado pela colocação de rock em desenhos, seriados e eventos infantis.
Enquanto alguns idiotas vão fazendo o sinal do capeta com a língua para fora, outros vão tratando de usar as autoridades para legitimar, através de leis, o medonho "funk" brasileiro, que mais parece trilha de jogo de videogame tocado por aparelhos comprados na Feira de Acari, cantado por pessoas com sérios problemas de dicção e de articulação facial.
É uma grande inversão de valores que não só prejudica a cultura como também contribui para a maior alienação de um povo que, por tradição, vive se recusando a se conscientizar.
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