Durante muitas décadas, a hegemonia da mídia corporativa garantiu uma espécie de quase unanimidade entre os conceitos sobre qualquer assunto na opinião pública. Eram os valores relacionados a opinião particular que se consagravam na sociedade por meio da difusão insistente na base da "mentira que contada muitas vezes virava verdade".
Mas aí veio a internet, receptores viraram emissores e surgiu o medo de donos das grandes corporações de ver a opinião pública mudar e perceber conceitos que antes estavam escondidos. Surgiu a pluralidade das ideias e hoje os conceitos se tornaram confusos e ninguém mais sabe quem está mentindo ou está falando a verdade.
As corporações tiveram que agir para retomar o pensamento único e o controle da opinião pública. Tiveram a genial ideia dos algoritmos, programas de computador que destacam o que popular e ocultam o que não é popular. Um meio inteligente de impor o pensamento único e senão impedir, dificultar debates racionais pela internet.
Como a maioria das pessoas tende a aderir ao pensamento dominante das classes opressoras (inclusive as esquerdas, que ingenuamente não enxergam opressão nas ideias dominantes), os algoritmos dariam maior destaque aos que defendem ideias consagradas pela opinião pública, impedindo a humanidade de se evoluir através do amadurecimento de ideias.
Com os algoritmos, ideias de décadas atrás voltam a ter destaque, para a tranquilidade de grandes magnatas que dormirão tranquilos ao saber que grande parte da sociedade desconhecerá as desonestas e violentas tramas do poder que os fazem ricos e poderosos. Tudo parecerá natural aos olhos da maioria e basta culpar os conscientizados pela tentativa de destruir a suposta paz capitalista.
Graças aos algoritmos, não aceitamos bondade sem religião, alegria sem bebidas alcoólicas, patriotismo sem futebol, vida adulta sem casamento e filhos, entre outros conceitos tradicionais que sobrevivem num mundo onde a humanidade deixa de evoluir para que a tecnologia se evolua, inclusive para pior.
A burguesia dormirá tranquila sabendo que a revolução se torna uma utopia cujo nome é dado a pequenas mudanças que não conseguem mudar as relações do poder e muito menos o modo como nos divertimos e relacionamos com as outras pessoas.
Seja bem vindo ao século XIX 2.0! Com tecnologia de primeira e humanidade de quinta. Exatamente como era antes no quartel de Abrantes.

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