A imagem ensolarada e alegre do Rio de Janeiro gerou um estereótipo de que o estado seria uma meca do progressismo. Puro engano. O Rio de Janeiro é um surpreendente exemplo de um conservadorismo não-estereotipado que enfraquece as esquerdas locais e torna os habitantes do estado verdadeiros fiscais policialescos dos costumes sociais.
No Rio de Janeiro, diversidade é um verdadeiro palavrão. A regra é todo mundo igual, satisfazendo o cumprimento de uma série de rituais que devem ser seguidos rigorosamente, sem o mínimo de desvio. É complicado imaginar os cariocas como ultra-conservadores porque o bom humor e o bom mocismo do povo local vai contra ao que se espera de um conservador, estigmatizado como ranzinza.
Surpresa ou não, o fato é que o povo carioca é muito rígido em relação aos costumes sociais. Influente no Brasil todo, coerente com a reputação de ser a capital cultural do país, quer que os brasileiros todos se comportam como cariocas. Algo difundido há décadas e seguido pela classe média de todos os estados brasileiros. Resultado da não regionalização da mídia.
Um sintoma claro disso é que as práticas de bullying são muito frequentes no Rio de Janeiro. Nem é preciso esforço para ser humilhado no estado. Basta pisar errado que sempre virão vaias e xingamentos para quem não age como a maioria. E nem adiante reclamar, pois qualquer ato de bullying será tratado "como uma brincadeira sadia que visa o bom convívio entre amigos". Então tá.
Mas a "punição" a quem se recusa a seguir o gado carioca pode variar: além do bullying, pode haver desprezo, estranheza, perda de direitos e até atos violentos que podem acabar com a vida de quem é diferente. Cariocas sonham com uma sociedade padronizada e nunca perdem a oportunidade de humilhar quem lhes parece estranho e fora da "normalidade".
Uma pesquisa de poucos anos atrás, descobriu que em casos de ciberbullying praticados no Brasil, grande maioria dos IP's dos computadores (uma espécie de RG's de PCs, Notebooks e celulares) era do Rio de Janeiro, confirmando a índole autoritária do mitológico ensolarado povo carioca, estereotipado como gentil só por viver sorrindo o tempo todo. Ué, mas não se pode agredir sorrindo?
Sim, pode se agredir sorrindo. Pode se agredir inclusive se estiver realizado na vida, com estabilidade financeira e afetiva. Pode se agredir para tentar proteger o privilégio conquistado. O que explica muito a agressividade do carioca, majoritariamente de classe média a rica e que, cercado de pobres por todos os lados luta com unhas e dentes para proteger a sua ganância.
E nada melhor para proteger a ganância do que estipular, através de regras sociais rígidas, quem deve ou não ter direito aos escassos privilégios oferecidos pela sociedade carioca. Aí dá se os direitos como prêmios para quem se comporta de acordo com a maioria, cumprindo o que se espera de uma pessoa considerada "normal".
Aos "anormais" reserva-se o vale dos excluídos, mas não sem antes humilhá-los. E aí que é posto em prática o autoritarismo do povo carioca, que obriga a todos a seguirem regras rígidas e cumprir rituais inadiáveis. Regras cobradas pela própria sociedade, com base no aprendizado através da mídia e das tradições sociais passadas de pais para filhos
Assim se comporta a sociedade carioca, privilegiando os "normais" e condenando a humilhação, ao desprezo e a perda de direitos quem não "dançar conforme a música". Malditos os que se recusam a seguir o alegre gado carioca rumo ao precipício da mesmice institucionalizada.

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