Desde que Michael Jackson e Madonna começaram a "mandar" no show business, a música comercial se tornou mais visual que auditiva. Os citados nomes foram pioneiros em resgatar para os palcos musicais um clima de Cabaret que era característico dos famosos teatros de revista do passado. E voi lá!: está instalado o Cabaret Musical feito para adolescentes!
É aquele negócio: uma musica em playback instrumental onde apenas a voz do cantor é cantada ao vivo. Não há banda e nos raros casos onde o instrumental é ao vivo, a banda ou fica escondida ou em segundo plano. Há uma multidão de (péssimos) dançarinos (que mais se contorcem do que dançam - se soubessem dançar, ainda seria alguma coisa), prioridade máxima neste tipo de espetáculo. Não se sabe para quê servem os dançarinos, mas a sabedoria dos avós sempre alertou que quem muito apela, é porque não presta. A julgar a qualidade musical da atualidade, é difícil discordar desse provérbio.
Parece um show visual. É nítido o fato de que a música passa a ser coadjuvante. Antes o visual servia mais para ilustrar a música. Hoje e o contrário. A música existe apenas como fundo para que os dançarinos possam exercer seu cabaret pseudo-erótico. Isso para um público que majoritariamente se encontra com menos de 15 anos.
Quando prestamos atenção no som, percebemos que a famosa frase sobre a apelação faz sentido. Isso se der para prestar atenção ao som, pois os malabarismos visuais são fartos, confusos e hipnotizantes. As músicas desse novo cabaret são fracas, so falam de relacionamentos e a pobreza melódica e poética é evidente. É ainda mais evidente o fato de que estas músicas servem apenas para fundo ilustrador do espetáculo e não o contrario, como muita gente possa parecer.
O que é mais estranho é que para os próprios cantores desse tipo de espetáculo, há um "quê" de maturidade, embora seu público ainda seja bem pueril. Na verdade nem uma coisa, nem outra: simplório demais para parecer "maduro", mas "erótico" demais para ser consumido por adolescentes, os únicos interessados no tipo de música cantado nestes cabarets modernos.
Na verdade, quem se beneficia mesmo com este tipo de espetáculo são as gravadoras e produtores dos mesmos, os que realmente lucram com a ilusória pirotecnia dos supérfluos dançarinos. Tiram-se as luzes e os dançarinos e o que sobra? Uma musica medíocre de letrinha obvia a levar muitos adolescentes ao mais fastidioso sono. É preciso encher de badulaques e muita pirotecnia para que uma música ruim feita apenas para vender, seja tratada como algo "brilhante".
Foi se o tempo que "brilhante" era sinônimo de "genial". Hoje, brilhantes, somente as luzes e as roupas dos medíocres cantoras da atualidade e seus supérfluos dançarinos de coisa nenhuma.


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