Recebi ontem de noite uma notícia muito triste: morreu Jorge Portugal, ex-secretário de Cultura na prefeitura de Salvador e professor de português em várias escolas. Era também compositor e ativista tanto na educação quanto na cultura. Portugal não era conhecido fora da Bahia, mas sua atuação era extremamente importante não só para a educação e cultura locais como também para as nacionais.
Faleceu aos 63 anos de problemas cardíacos. Estava internado no hospital geral Roberto Santos, que é público e fica não muito longe de onde cheguei a morar, quando eu vivia na capital baiana (cujo retorno, prometido para este ano foi cancelado por motivos particulares, mas com possibilidade de reversão para a partir de dois anos; vamos ver!).
Portugal era uma pessoa muito simpática, de voz grossa e agradável e era muito querido pela juventude. Se houvesse uma versão local do Altas Horas (apresentado pelo competentíssimo Sérgio Groissman), Portugal seria o melhor para a conduzir a atração. Conversando com jovens, muitos adoravam assistir aulas com ele. E os que nunca foram seus alunos sonhavam em sê-los.
Portugal fez uma excelente gestão na secretaria da Cultura. Sua meta era eliminar o hegemonia da Axé Music, controlada por poderosos empresários do entretenimento que mandavam na política baiana. Sua gestão permitiu que outras formas de cultura, arte e entretenimento, locais ou não, pudessem ocupar espaços na Bahia e se manifestar.
Claro que a Axé Music deve ter seu espaço, até para satisfazer um público cujo nível de exigência era muito baixo. Mas não deveria ter hegemonia, quase um monopólio. Outras formas de arte, cultura e entretenimento deveriam respirar. Portugal conseguiu acabar com esta hegemonia e devolver a Bahia a sua vocação para a diversidade, principalmente na cultura, que estava bem padronizada.
Triste perda. Vamos aos poucos perdendo referências e o simpático professor e incansável ativista cultural calou a sua bela voz. Estamos órfãos de uma liderança como Portugal, ainda mais em tempos que não somente a política, mas a cultura vai decaindo de forma vertiginosa.

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