Quando a internet se popularizou, nos anos 90, quase trinta anos após ter surgido, havia a esperança de que a humanidade se evoluiria, pois teria a oportunidade não somente de pesquisar mais e conhecer sobre vários assuntos, como também o próprio cidadão teria a oportunidade de se manifestar sobre o que está errado no pensamento único consagrado pela mídia e pelos costumes sociais, tentando corrigir conceitos equivocados que impediam a sociedade de se evoluir.
Mas, infelizmente, o que a internet conseguiu fazer é transformar a sociedade em uma Torre de Babel, com muitos conceitos contraditórios e muita distorção sobre a realidade que não somente manteve o pensamento único de outrora como o fez conviver com outros conceitos tão equivocados quanto. E fez com que cada cidadão tivesse razão sobre a interpretação de mundo existente apenas em suas mentes, após estimulada atrofia intelectual.
Isso, somado a tradicional teimosia do brasileiro, que sempre recusou a mudar de opinião, mesmo quando comprovadamente equivocada, tem feito com que as coisas perdessem suas definições e fossem classificadas "ao gosto do freguês".
Há um crescimento do subjetivismo e mesmo em meios profissionais, em que deveria haver maior responsabilidade, o achismo impera e o que é fato vira opinião e o que é opinião vira fato. O real e o virtual se confundem e ninguém mais sabe o que é o quê.
Mas como opinião é patrimônio, um meio onde o adulto médio se sente "mais sábio do que qualquer outra pessoa", fazer alguém mudar de ideia gera discussões que chegam a níveis violentos, pois, se achando um "sábio", a pessoa não vai querer mudar o seu pensamento. Eliminar uma opinião, mesmo errada, soa como uma derrota para ela e uma prova de que ela não é tão sábia como pensa.
E por incrível que pareça, essa foi a forma das elites da comunicação de preservar o pensamento único, já que diante de muitas opiniões contraditórias, somente a divulgada por meios "profissionais" (mídia corporativa, incluindo as empresas de big tech e big data) é que vale de fato. Com ajudinha, claro, dos algorítimos, uma espécie de reguladores dos conceitos e opiniões na internet atual.
Uma forma de evitar que a internet seja usada para mudar o mundo, já que mudar o mundo de fato é mudar as relações de poder, tirando toda a hegemonia das classes dominantes.

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