As pessoas precisam sobreviver. E para sobreviver, você faz qualquer coisa. Inclusive o que detesta. Se o objetivo seu é enriquecer, também você faz qualquer coisa. Inclusive o que detesta. mesmo assim, há quem considere que alguém capaz de fazer o que detesta, ou age de acordo com o interesse alheio, ainda continuará fazendo arte e cultura.
É muito estranho ver os esquerdistas ainda considerarem que a arte e a cultura continuam fortes, mesmo com a interferência do dinheiro nas carreiras de seus criadores e emissores e no desejo exclusivo de diversão do público receptor. Fazer algo só por dinheiro e consumir algo só por diversão tem um nome: ENTRETENIMENTO. Mas as esquerdas têm medo desta palavra.
Não dá para ver espontaneidade legítima em alguém que faz entretenimento para um público pouco afeito a racionalidade e mais interessado em se divertir. O nome entretenimento parece muito mais adequado aos dias de hoje, mas progressistas em geral detestam usar esta palavra, creio porque ela minimiza a importância daquilo que eles querem defender.
Mas desde a década de 40, creio, a transformação da atividade artística em profissão e fonte de renda, tirou a espontaneidade de suas obras, criadas muito mais para gerar renda do que para se comunicar com o público receptor, este desde então, pouco interessado em usar estas obras de forma intelectual, preferindo usa-las para passar o tempo e satisfazer instintos.
Mas as esquerdas ignoram isso e acabam por igualar os intelectuais que criam as suas obras para transmitir alguma lição de vida aos receptores com as armações criadas nos escritórios de gravadora, gravando bobagens só para entreter o público alvo. Não dá.
Para piorar, as esquerdas inventaram que a arte é polissemântica e que o receptor - sempre ele, único foco cultural das esquerdas - é que deve interpretar, a seu gosto, o que o emissor está dizendo. Pelo jeito passaram a achar as criações de Bob Dylan uma idiotice e as bobagens de menudos como o BTS, verdadeiras e puras obras de arte.
Na verdade, não deveria se falar em arte e cultura em um mundo distópico e mediocrizado como o dos últimos anos. O que há é entretenimento, diversão pura, que existe para dar dinheiro aos seus criadores e executores. Falar em arte e cultura é forçar a barra para que o medíocre seja tratado como genial e enganar a população dizendo que o mundo é muito melhor do que realmente é.

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