Em postagem recente, havíamos falado que pessoas progressistas resolveram mudar os conceitos de arte e cultura para favorecer formas mais medíocres, inserindo nelas características que não fazem parte delas, aumentando, sem merecimento, a sua importância.
Ao afirmar que a arte é polissemântica, ou seja, não tem significado próprio, acaba por dar ao público receptor a capacidade de definir qual o seu sentido. Isso ocorre quase sempre de forma subjetiva, permitindo falsos sentidos e portanto, fake news, teorias conspiratórias e vários tipos de absurdos.
Isso acaba tirando da arte a sua importância e desvalorizando o criador de uma obra considerada artística. Pergunto: para quê serve a arte se ela por si só não significa nada? Se o público receptor (subjetivo) é mais importante que o criador (factual) de uma obra, seria melhor não haver arte, pois ela não tem a função de comunicar, o que deveria ter.
Se o que o emissor quer dizer não tem sentido e a função de interpretar é do receptor, o diálogo entre eles nunca é estabelecido. É como se eu dissesse "vamos tomar um chá de erva mate" e o receptor me chamar de assassino, somente pelo uso da palavra mate, que tanto é o nome do chá quanto uma flexão do verbo matar.
Sem sentido, a arte acaba morrendo
Essa reinterpretação, somada ao foco dado ao público receptor, considerado pelas forças progressistas mais importante que o artista - e é quem julgará o emissor, definindo sua importância, com base em critérios subjetivos - tem favorecido com que uma confusão entre o que é bom ou não na arte/cultura se estabeleça, quase sempre provocando injustiças, valorizando os ruins e condenando os bons.
A iniciativa de entregar ao receptor a interpretação do que o emissor quer dizer destrói a arte e torna tudo confuso e sem sentido. Como a arte perde o sentido, ela perde a sua razão de ser, se tornando mais uma brincadeira a divertir a plateia como um jogo de advinhas.
O pior que, mesmo assim, os progressistas continuam a levar a arte a sério, mesmo quando é malfeita ou fala verdadeiras asneiras ou quando é produzida de forma mercadológica, muito mais para gerar renda ao emissor ou ao produtor/empresário deste do que realmente para transmitir uma ideia.
Por isso, eu digo: a arte morreu na década de 40, ou talvez antes. Só que os progressistas se recusam a admitir isso, a fazer o velório e a enterrá-lo. Para os progressistas, a arte está em sua melhor fase, mesmo produzindo do ruim ao pior.
Porque se é o receptor que interpreta a obra, digamos que uma produção ruim pode facilmente ser considerada maravilhosa, sob o ponto de vista do subjetivo receptor. Bom para o emissor, que não precisa se esforçar para criar algo bem feito, se quiser ganhar - muito, mas muito mesmo! - dinheiro às custas da ingenuidade alheia.

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