Os costumes sociais tentam, de uma forma ou de outra, ridicularizar os solitários, colocando-os estigmas bastante negativos e não raramente ofensivos, por achar que, sendo "perdedores sociais", os solitários mereçam ser humilhados.
Se não bastasse a tristeza de alguns - há quem se sinta feliz sozinho - de terem que viver sozinhos, seja por falta de oportunidades ou falta de algum pretendente que corresponda aos seus anseios, há a lamentável sina de ter que ser objeto de chacota alheia, o que ajuda a transformar a solidão em um fardo maior do que já é.
Para as mulheres, há o estereótipo de "putas". Mulher que não se casa é imediatamente rotulada de "prostituta". O medo da rotulação faz com que muitas se casem com o primeiro que encontram pela frente, mesmo que não corresponda exatamente ao perfil desejado.
Para os homens, há a pecha de "terroristas neonazistas", pois para muita gente, homem que fica só se torna odioso e desenvolve um desejo de matar os outros, o que não é verdade. Terroristas nazistas não são assim porque estão sós. São assim porque têm a natureza odiosa dentro de si.
Enquanto isso, há muitos homens e mulheres solitários que não são prostitutas ou terroristas nazistas. Há muita gente boa solitária por diversos motivos. Uns que gostam de solidão - por ter uma vida mais tranquila e barata, sem grandes gastos - e outros que tem dificuldade de sair dela.
Um dos motivos que estimulam muitas pessoas a continuarem sozinhos é o clima alienado dos ambientes onde os solteiros se reúnem. Graças a ridicularização dos solteiros, estipularam que, na ausência de responsabilidade conjugal, solteiros teriam que agir de forma infantilizada.
Mesmo bebendo bebidas alcoólicas - estigmatizadas como coisas de adulto, mas que não impedem um comportamento infantiloide - os ambientes de paquera estão cada vez mais fúteis, desestimulando quem espera um relacionamento mais sério, onde se possa adquirir uma experiência proveitosa.
Infelizmente, ninguém apareceu para resolver este problema. Os solteiros continuam encurralados entre aderir a um mundo de futilidades dispensáveis ou serem humilhados por uma sociedade que considera relacionamentos estáveis como a consagração da vida adulta, obrigando a todos a ter um companheiro.
É triste ver que a solteirofobia anda bem alta, forçando as pessoas a escolher entre serem humilhados pelo sistema ou aderirem a um relacionamento fadado ao fracasso, pela falta de alguém suficientemente amadurecido para levar um relacionamento a sério.

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