É muito fácil para a classe média alta relativamente próspera chegar para alguém desesperado e dizer "não chore, dias melhores virão". Uma pessoa em que o sofrimento é crônico e nunca vê nada dar certo, reduzindo sua noção de otimismo a promessas vazias sem resultado prático, nunca vai confiar em mensagens positivas vindas de quem costuma viver bem.
Desde 2016, os motivos para uma pessoa entrar em depressão e cometer suicídio aumentaram drasticamente. A saída de Dilma Rousseff fez com que muitos brasileiros, da classe trabalhadora para baixo - e alguns de classe média que perderam seus privilégios - entrassem em uma situação catastrófica, tendo que abrir mão de parte do necessário para poder sobreviver.
Eu falei parte do NECESSÁRIO, pois supérfluos viraram artigo de luxo. A própria classe média abastada se agarra aos seus supérfluos como a criança teimosa que agarra um urso de pelúcia mofado e cheio de carrapatos. Fica fácil para quem tem o seu direito ao supérfluo satisfeito viver com otimismo e esperança.
Para quem ganha no máximo 2 salários mínimos, o que resta é escolher entre procurar fonte de renda complementar - que reduz o tempo livre para descanso ou lazer - ou abir mão de parte do necessário - como reduzir a quantidade de comida - o que pode ser prejudicial à saúde, fazendo surgir doenças cujo tratamento e remédios costumam ser bastante onerosos.
Fica complicado para alguém que chegou ao fundo do poço não pensar em encerrar a sua vida indigna. Num país onde nem mesmo as esquerdas estão dispostas a ajudar os mais carentes, preocupados com eleições e com causas supérfluas, resta aos mais carentes colocar a corda no pescoço e apertá-la para dar encerramento ao sofrimento que nunca se encerra.
Neste setembro amarelo é preciso cortar o mal pela raiz. Antes de tudo devemos enxergar a origem de tanta depressão e desespero que em muitos casos está na falta de dignidade da vida, graças ao salário baixíssimo e a falta de condições adequadas de vida. Coisas que a simples ida ao psicólogo nunca resolve.
É preciso lutar para que haja melhorias para todos para que os seres humanos estejam em condições de se sentirem fortes e felizes para poder viver e continuar lutando, com garra, mas sem desespero. Pois quando se luta com desespero é porque as condições s e escassearam. Aí o que resta é encerrar a vida. E não há psicólogo e nem otimista nenhum que consiga convencer do contrário.

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