A classe trabalhadora, decepcionada com o desprezo que a esquerda deu às causas trabalhistas, preferiu votar na direita por esta saber melhor falar - mesmo através de mentiras e promessas irrealizáveis - com os mais pobres, que racionalmente não se identificam com as causas identitárias, prioridade máxima para os esquerdistas de hoje, sobretudo o liberal PSOL, formado por bem remunerados professores universitários.
O PSOL, novo protagonista do progressismo nacional e regulador do novo comportamento que as esquerdas devem assumir, não demostra interesse nas causas trabalhistas. Tanto é que soterrou imediatamente a figura do sindicalista zangado, reclamando por baixos salários e trocou por pessoas alegres com roupas coloridas fazendo danças ridículas sob fundo musical de qualidade duvidosa.
As esquerdas hoje mudaram seu ponto de vista e com a troca das causas trabalhistas - desinteressantes para quem resolveu problemas com dinheiro como os professores universitários - pelas identitárias, conquistaram a simpatia da classe média, que sem dificuldades econômicas, viu na nova proposta uma oportunidade de ver seus interesses, supérfluos para a classe trabalhadora, satisfeitos.
A classe média que sabiamente o sociólogo Jessé Souza chama de "Classe Média de Oslo", graças ao fato de terem resolvidos os problemas econômicos (desemprego, salários baixos, desigualdades) e convertido suas reivindicações a outros interesses (ecologia, liberação das drogas, veganismo, causas LGBT, defesa de mulheres e de etnias), mais relacionados ao cotidiano da classe média.
Mesmo crescendo entre as classes média, pelo motivo aqui explicado, as esquerdas não foram adiante nas eleições porque faltou o apoio das classes trabalhadoras, que não conseguiram enxergar a satisfação de seus interesses nas propostas dos esquerdistas, vendo nas causas identitárias uma forma de demagogia que passa bem longe da vida de quem ainda tem a falta de dinheiro como um problema bem longe de ser resolvido.
Mesmo mentirosa, a direita conseguiu convencer a classe trabalhadora a votar nela, pois mesmo opositora das causas trabalhistas, consegue dominar um tipo de linguagem que consegue convencer os mais carentes, lançando mão de lideranças - sobretudo religiosas - e da grande mídia - mais ainda a televisiva - que ainda exercem muita influência nos mais pobres.
Ficou assim, o cenário político brasileiro: classe média dividida entre os niilistas e os que resolveram aderir às esquerdas em troca de causas identitárias e a classe trabalhadora se despolitizando e preferindo acreditar nas conversas daquelas pessoas em que elas confiam, beneficiárias das políticas de direita, e a extrema direita, vitoriosa em 2018, totalmente em frangalhos, apesar de algum êxito aqui e acolá.
Mas de qualquer forma, as esquerdas perderam a sua essência, rompendo com as classes trabalhadoras e conquistando a Classe Média de Oslo, com muito dinheiro no bolso e pouca noção do que é prioritário para o Brasil.

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