Apesar de malfeito, ridículo e extremamente comercial, o "funk" se tornou um gênero com uma peculiaridade: a sus defesa apaixonada se tornou militante a ponto de fazer o gênero musical de características irritantes ser o primeiro gênero que usa o coitadismo como publicidade.
Toda vez que o "funk" é criticado, muitos comentários surgem em defesa ao gênero, como se o mesmo fosse muito melhor e superior do que realmente é. O que de fato é um lixo sonoro, independente de gosto, é ignorado em nome de uma defesa de um suposto anti-elitismo que não é o verdadeiro motivo para as críticas.
Para os defensores do "funk", o que está sendo criticado não é a sua péssima qualidade auditiva e sim o fato de ser associado frequentemente ao povo pobre. Como se fazer e ouvir "funk" fosse um direito tão importante quanto comer e dormir. Mas esta defesa é carregada de ignorância de muitos fatores que nunca são levados em conta nas discussões, nem mesmo pelos que criticam.
Para começar, o "funk" não é a "legítima expressão das periferias". Longe disso. É uma música criada em laboratório, nos escritórios de gravadoras e produtoras. É inspirada no Miami Bass, gênero controverso que possui até casos de escravidão e prostituição em seus bastidores. Pode ser um meio de alienar o povo pobre através da catarse (manifestação de instintos) e impedi-lo de se inssurgir contra o sistema.
Apesar de defendido por esquerdistas, o "funk" tem características que permitem abusos tipicamente de direita. Suas danças são ridículas, as letras sem pé nem cabeça, seus cantores tem vozes horríveis, as batidas são irritantes e as intenções comerciais são evidentes. Nenhuma característica que permita definir o "funk" como "arte superior, como querem seus defensores.
Mas a ignorância de seus defensores, a apoiar um gênero que transforma o povo pobre em um bando de patetas, acaba por soar como um ato falho, pois muitos dos defensores são de classe média alta e enxergam o povo pobre como macaquinhos de realejo a lhes alegrar com as suas danças, independente dos pobres estarem ou não bem de vida.
É um retrato cruel que coloca os pobres como "bobos da corte" a entreter as elites muito bem acomodadas e que colocam as causas identitárias acima das trabalhistas, como se os problemas relativos a desemprego e salários baixos estivessem resolvidos. Para esta classe média que enxerga os pobres como macaquinhos de realejo, estes problemas estão resolvidos. Afinal salário digno e emprego esta classe média de esquerda de fato tem.
Defender que pobres tenham como "sua música" algo de péssima qualidade que ainda por cima os ridiculariza esconde uma crueldade não-intencional que só agrava os problemas insolúveis das classes oprimidas, que não somente são separadas do resto da humanidade pelo dinheiro, como também pela cultura, já que não tem direito a consumir e produzir algo que tenha realmente boa qualidade.
Defender o "funk" é que é o verdadeiro elitismo, jogando para o povo pobre o lixo cultural para que o acesso à cultura de qualidade possa ser exclusivo de portadores de diploma e de salários bem remunerados. O que se critica no "funk" não é o povo pobre e sim as características de ruindade do gênero.
Pelo contrário, deseja-se que o pobre volte a consumir e produzir cultura boa, digna, bem feita. Como era no passado remoto com Cartola, Jackson do Pandeiro, Dona Ivone Lara, Nelson Cavaquinho, Luiz Gonzaga e vários outros. Um passado saudoso em que pobre não era sinônimo de ridículo e burro. Ser pobre apenas significava ter pouco dinheiro e não ter boas condições de vida. Apenas isso.
Triste saber que há um empenho em ridicularizar ainda mais a classe pobre. E mais triste saber que esta iniciativa vem de quem se assume "de esquerda". Se esquecendo que a esquerda deveria ter o dever de defender a honra e a dignidade dos mais pobres. E não se é honrado e digno ficar descendo até o chão ao som de um troço malfeito e irritante.

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