Nos últimos tempos, a partir dos anos 90, vivemos sempre dizendo que a cultura do passado era melhor. Mesmo as coisas ruins do passado nos dão saudades, já que coisas piores apareceram depois. Mas ficou tão arraigada a ideia de que o passado sempre foi melhor que o presente que me fez pensar um pouco sobre o assunto.
Para muitos, fica a impressão de que o passado é melhor que o presente porque faz parte do passado ser melhor. Será? Creio que não. Isso é um retrocesso. Achar que o passado deve sempre ser melhor que o presente é o mesmo que achar que devemos andar de costas pela rua.
Na verdade, o que faz o passado ser melhor que o presente? Deve ser alguma coisa errada que cometemos no presente e que não cometíamos no passado. A pressa do mundo moderno e nossa incurável ganância favorece nosso emburrecimento. Nosso intelecto está atrofiando. Nossa natureza animal está cobrando nosso retorno aos puros instintos.
Estamos cada vez mais incapazes de realizar coisas brilhantes. Se conseguimos fazer algo que não seja ruim, mesmo que não passe do medíocre, já comemoramos. Temos a ousadia de classificar como "obras primas" coisas que estão abaixo do medíocre. Perdemos a noção do que é bom ou ruim a ponto de preferir um governo tirano a tirar nossos mais caros direitos, só porque ele não corresponde a um estereótipo desagradável falsamente atribuído ao governo anterior.
A cultura do passado era melhor porque éramos menos burros. Tudo bem que sem internet boa parte da realidade nos passava despercebida. Mas pelo menos tínhamos tempo para processar melhor as informações que nos chegavam. Tínhamos a capacidade de criarmos coisas cada vez melhores.
Hoje, a falta de tempo exigida pelo ganancioso mercado de trabalho, somada a avalanche de informações mal processadas nos faz medíocres, cada vez menos capazes de entender a realidade e de exigir uma cultura que fosse cada vez melhor. Nos fascinamos com qualquer imagem de cachorros correndo atrás do próprio rabo como se isso fosse brilhante e revolucionário.
A cultura é na verdade a parte prática da educação. Não me refiro como "educação" o aprendizado escolar (cujo nome correto é instrução). Educação eu me refiro a nossa capacidade intelectual de percebermos a realidade, com base em conceitos e no processamento de ideias.
Éramos mais capazes intelectualmente? Creio que sim. A produção cultural e a qualidade de serviços e produtos (que hoje vão do medíocre ao péssimo) eram muito melhores e pela prática se observa a causa. Sim, éramos mais sábios e hoje desaprendemos a usar o cérebro. Precisamos reaprender senão nossa cultura poderá ser ainda pior do que a que se fazia nas cavernas da Pré-História.

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