Entrei, meio desconfiado, já que tenho a ciência de que há anos o rock está decadente em popularidade, virando uma espécie de maçonaria. O que eu vi vai muito aquém daquelas maravilhas que as pessoas, que tratam o rock de forma subjetiva, cheio de achismos, pensamentos desejosos e muita fake news, costumam falar do citado espeço localizado na famosa Avenida São João.
Claro que para quem acredita no roqueiro como uma figura estereotipada, fechada, viciada em drogas, que veste preto, usa tatuagem e finge rebeldia - embora goste do sistema político-econômico-social como está - não vai se surpreender com o clima de shopping decadente, escuro, velho e bastante obsoleto. Foi o que eu percebi ao andar pelos espaços do dito cujo.
Embora muitos fãs de rock admitam, de forma bem subjetiva e divorciada do mundo real, de que o rock ainda está em alta, a galeria mostra uma imagem coerente com a decadência do gênero. Velhos sebos, lojas de tatuagem, lojas da malfadada cultura "nerd". Nada que lembre um espaço moderno, sedutor e que seja convidativo a todos os tipos de pessoas.
Parece uma loja maçom - aproveitando o trocadilho da palavra "loja". Ou um conjunto de lojas maçons. Se bem que dá para enxergar alguma modernidade em uma maçonaria, ausente na Galeria do Rock, um espeço que sinaliza muito bem a decadência e impopularidade do gênero como movimento cultural.
Os frequentadores acompanham esta decadência, fazendo muita questão de manter o estereótipo. Como se ser roqueiro exigisse uniforma e postura caricata de falso rebelde, com tatuagens, piercings e fumando o tempo todo. Depois vivem a perguntar, aos prantos e sem entender bulhufas, porque a grande parte dos roqueiros morre cedo.
Saí de lá ao mesmo tempo decepcionado e não-decepcionado. Decepcionado porque pelo que todos falam, parece um espeço moderno e dinâmico. Não decepcionado porque acabou confirmando, na falta destes dois aspectos, a decadência do gênero, hoje bastante impopular e sem alguma produção nova que seja relevante ou que traga algum progresso para o gênero.
Mas inventaram a tolice de dizer que rock é atitude e não música. Talvez aí esteja a verdadeira razão da decadência para o rock e a galeria que o representa. Músicas duram muito mais que meras atitudes.

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