Fica a impressão de que, para as esquerdas, o trabalhador, cansado após 12 hores de trabalho, chega cansado à noite para depois decidir sair às ruas para lutar por um mundo melhor, por mais cansativo e arriscado que seja o ativismo social. Isso é uma ficção, pois tudo que uma pessoa quer evitar em períodos de cansaço é pensa, questionar. No lazer, você quer mais é descansar e se divertir. E só.
É infantil a ideia de que é inerente à atividade de lazer o esclarecimento político, econômico e social. Lazer não foi feito para isso, embora seja boa a ideia da utilização do tempo livre para o desenvolvimento intelectual. Mas isso não é frequente.
O que é mais estranho é que as esquerdas não estão se referindo somente a trabalhos realmente intelectualizados, como as músicas de Bob Dylan e os filmes de Godard. Para as esquerdas, que enxergam trovoada dentro de um copo de água, até músicas com letras ingênuas do tipo "Vamos sair à noite para dançar e amar" tem um conteúdo político e altamente intelectualizado. Só se for delírio!
A palavra Cultura expressa muito mais do que uma simples diversão. Implica costumes, modo de pensamento, ação e coisas que resultam em consequências para a realidade cotidiana. O lazer é apenas uma atividade que você tem para relaxar e se distrair enquanto não dedica seu tempo a satisfazer os interesses de outras pessoas (o chamado Trabalho), em troca de uns míseros trocados.
As esquerdas deveriam perder o medo de usar a palavra Entretenimento, passando a usar as palavras certas. Ao menos que as esquerdas queiram criar uma manobra intelectual com o uso da palavra Cultura. Robert Fisk dizia que o uso de palavras pré-escolhidas significava o poder de manobra. Pode ser que a utilização da palavra Cultura pode estar escondendo interesses mesquinhos por trás disso.
De qualquer forma, é fato o de que a palavra Cultura passou a ser utilizada para definir também as atividades lúdicas que nada tem a ver com o processo de desenvolvimento intelectual so ser humano. Até uma reles brincadeira virou "cultura". Parece que teremos que reaprender a dar nomes às coisas.

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