Viva o mundo real! A realidade é feia, é triste e é cruel. Mas é a realidade. Se não gosta da realidade como é, se esforce para mudar. Trabalhe (que não é sinônimo de ter emprego, do contrário de como muitos pensam) para que a realidade seja melhor, alegre, bonita e generosa.
Mas mudar a realidade exige esforço e abnegação. Mudar a realidade exige aptidões que muita gente não possui. Exige que saiamos da mais do que agradável zona de conforto. Exige que desistamos de muitos valores que consideramos belos, positivos e nobres. Exige que abandonemos a preguiça, sobretudo a intelectual.
Como mudar a realidade se este tipo de mudança exige uma postura que não queremos ter? A solução? Fugir da realidade. A religião, a TV, a cerveja e o futebol, além de outros supérfluos, existem com esta função. Há tempos deixaram de ser meras fontes de prazer para se tornar verdadeiras fugas da realidade. Pois a covardia faz parte do instinto humano. E o que o covarde faz diante do problema? Fugir!
Pessoas que colocam estas ilusões como prioridades em suas vidas - e isso acontece com mais de 90% dos brasileiros, infelizmente, independente de idade, etnia, procedência, gênero e orientação política - tendem a emburrecer ainda mais, de entender de forma distorcida a realidade de que vive fugindo.
Com esta atitude lamentável, sua capacidade de discernimento atrofia e sua personalidade começa a regredir a ponto de agir como um menino birrento de 4 anos de idade. Mesmo que entenda algumas coisas básicas da vida adulta, a essência infantil se manifesta na birra de ter que defender a zona de conforto em que insiste em permanecer.
Críticas são confundidas com ofensas e resultam em brigas quase mortais. Conselhos são confundidos com intromissão à vida do teimoso em questão. Há a defesa do direito de ser imbecil - desde que não seja chamado como tal - pois "cada um pensa como quiser", mesmo que seja a mais absurda das ideias. Mesmo que tais ideias estejam em oposição prática do que acontece no mundo real.
Pessoas que ficam horas bebendo, assistindo TV e cultuando dogmas religiosos, são muito suscetíveis de abandonar o mundo real e passar a acreditar em bobagens, verdadeiras asneiras. Passam a ter dificuldade de entender certas coisas e vira presa fácil de publicitários a serviço de empresários gananciosos e dos fabricantes de fake news.
Nem adianta estabelecer um maniqueísmo entre cerveja x religião. As duas coisas fazem exatamente a mesma coisa: tirar a pessoa do mundo real. Impedi-la de raciocinar de forma plena, compreendendo o que acontece na realidade e conhecendo os verdadeiros vilões que nos prejudicam.
Não estou aqui dizendo para as pessoas largarem estas ilusões. Longe disso. Iludir de vez em quando, como forma de distração e divertimento, sem levar muito a sério, não é maléfico. Mas priorizar as ilusões gera danos, pois coloca aquilo que nos alucina no lugar da razão. Sem exercitar a razão, nosso cérebro se atrofia e criamos dificuldades de entendimento.
O ideal seria que todo mundo se intelectualizasse. Que tentasse verificar informações, que analisasse tudo e todos, que não confiasse muito em lideranças que se apresentem como confiáveis, sem antes verificar s e tal é realmente digno de ser acreditado.
Mas como ninguém quer raciocinar, pois além de difícil e chato, não tem a nobreza das religiões, a descontração de um copo de cerveja e o dinamismo de uma programação televisiva. Ser burro nada exige e traz - falso - bem ester para quem se recusa a pensar. por isso que as coisas estão como estão, com o mundo do jeito que está e problemas não resolvidos que só crescem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.