Infelizmente, as esquerdas brasileiras desistiram de seu glorioso passado e descartaram de vez as causas trabalhistas que fundaram o pensamento de esquerda. No lugar, colocaram as causas identitárias, mais condizentes com os interesses da classe média (majoritariamente formada por professores universitários) que passou não somente a aderir como a comandar a ideologia progressista no Brasil.
As causas identitárias correspondem a uma espécie de paliativo. Já que não se quer pode distribuir renda e direitos a todos os oprimidos, escolhe-se um ou poucos membros das classes oprimidas e o empodera, ou seja, coloca em uma situação em que um oprimido nunca estaria, dando a ilusão de representatividade e "mudança de mundo". Junto a isso, o falso mito de que um oprimido no poder lutaria por justiça social.
A realidade mostrou de forma prática de que as causas identitárias, hoje prioridade máxima das esquerdas brasileiras, são uma farsa. É na verdade uma armadilha feita para que a verdadeira justiça social nunca seja feita, a não ser de forma estereotipada e paliativa.
O oprimido olha para um semelhante no pedestal do poder e se sente representado, mesmo que ainda haja diferença de aquisição de direitos entre ele e seu assemelhado bem sucedido. Se sentindo representado, o oprimido tem a ilusão de que, no poder, o oprimido bem sucedido vai lutar pelos seus assemelhados. E não luta. Pior: vira opressor, fazendo exatamente que os antigos opressores faziam.
Na foto que ilustra esta postagem, colocamos exemplos relacionados ao povo afro-descendente. Mas isso também acontece com mulheres, indígenas, gays, nerds, deficientes físicos e outros tipos de excluídos. Ao invés de mudar o sistema, beneficia-se um e outro integrante das classes oprimidas e tem -se a ilusão de que o problema foi resolvido, quando na verdade ele foi agravado.
Nesta foto, aparecem três casos envolvendo negros, 1) a superestimada cantora Beyoncé Knowles (aqui junto com seu marido, o arrogante Jay Z, rival de outro metido similar, Kanye West) usando uma joia caríssima. 2) o cantor conhecido como The Weeknd e sua gigantesca mansão. 3) Barack Obama, que na presidência, agiu igualzinho a qualquer presidente imperialista dos EUA.
Nos três casos citados, não ouve uma mudança de mundo ao ver três negros assumindo posturas de poder. Pelo contrário: o que se viu foi uma adequação ao injusto sistema neoliberal eternizado de forma insistente pelo Capitalismo mundial. Tudo sob os aplausos das esquerdas brasileiras, que fingem odiar o Capitalismo, mas desejam apenas adaptá-lo a favor das classes oprimidas, sem mudar um só aspecto.
As causas identitárias representam, na verdade, uma rebeldia domesticada, um meio de amansar as classes oprimidas sem satisfazer de fato os seus interesses de classe. Não adianta colocar oprimidos em situação de poder ou de realização plena se o sistema sócio-econômico continua o mesmo. Isso acaba tornando não só um paliativo como uma iniciativa clara de manter tudo como está.
No fundo, as causas identitárias servem mais para manter o sistema injusto de pé e atuante, mas dando a ilusão de justiça social que somente as pessoas de racionalidade precária conseguem compreender como tal. Até que o oprimido vire opressor e haja como os capitães do mato de outrora, esnobando os seus assemelhados e se fundindo com as classes dominantes que estão no poder há séculos.

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.