Todos estão carecas de saber que vivemos em uma sociedade cada vez mais exigente. A cada dia mais gananciosa e ambiciosa, a sociedade, incapaz de repartir bens de maneira igualitária, exige condições para que certos bens possam ser concedidos. Coisa agravada após o golpe de 2016 e no governo fascista de Jair Bolsonaro, e infelizmente mantida pelo governo Lula, ambos eleitos para favorecer mentes gananciosas e excludentes.
Iludida pelo fato de vivermos em uma época supostamente avançada (avançada apenas tecnologicamente, mas intelectualmente ainda atrasada - as máquinas pensam por nós?), a sociedade pensa que tais exigências existem para qualificar os que irão receber tais benefícios.
A prática mostra que essas exigências são ineficientes e até ineficazes na pretensão de qualificar beneficiários. Aliás, acaba revelando que a qualificação é apenas uma desculpa e que na verdade a intenção mesmo é filtrar, segregar, eliminar concorrentes com base em critérios subjetivos.
A prática mostra que essas exigências são ineficientes e até ineficazes na pretensão de qualificar beneficiários. Aliás, acaba revelando que a qualificação é apenas uma desculpa e que na verdade a intenção mesmo é filtrar, segregar, eliminar concorrentes com base em critérios subjetivos.
"Qualificação" na verdade é filtragem com base em critérios subjetivos
O que vemos ao nosso redor serve como prova de que os critérios de filtragem nada são objetivos, como se pensa. Os responsáveis por ceder benefícios se acham no direito de escolher quem querem e como querem, baseados não na funcionalidade e sim no desejo de satisfazer diretamente ou não ou seus instintos.
Mas uma sociedade como a brasileira, que tem o hábito de aceitar tudo cegamente, sem questionar e ainda é estimulada pela opinião pública a agir assim, tudo parece certo e plausível. A confiança cega naqueles que fornecem ou permitem benefícios favorece os abusos de quem exige o máximo para oferecer o mínimo.
Mas do contrário que todos pensam, esse aumento de exigências não está melhorando em nada a sociedade. Principalmente nos empregos e na vida afetiva, observados claramente que o aumento de exigências não passa de um abuso a não qualificar nada. E fatos comprovam isso.
"Qualificação" pode excluir profissionais qualificados
No emprego, o aumento de exigências serve mesmo para que diminuam, antes mesmo do processo de seleção, candidatos aos cargos. Todos sabem que no sistema capitalista, ter dinheiro garante a sobrevivência e a aquisição de bens, o que faz com que todos corram atrás de empregos.
Mas para ter emprego, é preciso satisfazer as exigências de quem paga, já que os pagadores entendem que pagam aos outros para satisfazer seus desejos, embora finjam que seja para interesse coletivo. Muitas vezes, quando se compara as listas de exigências com a qualidade do serviço oferecido, a gente descobre que tais exigências não ajudaram em nada na qualificação, se revelando na verdade uma farsa para segregar e impedir o acesso aos direitos.
Contratantes são seres humanos, tão falhos quanto qualquer um. O nosso sistema não impede que pessoas bem ignorantes (não estou me referindo a escolaridade e sim a capacidade de discernimento - coisas rara num país onde isso é desestimulado) possam se tornar "líderes", um cego a guiar cegos. E muitos desses contratantes levam para os escritórios suas convicções e traumas pessoais.
Nisso, correm o risco de dispensarem excelentes profissionais que não se enquadrem na exigência definida, dando oportunidade para profissionais medíocres tomarem o lugar, já que muitas dessas exigências não estão relacionadas com o cargo pretendido e se um profissional de qualidade não satisfaz nenhuma delas, ele é automaticamente dispensado.
Educação, no Brasil, é feita para excluir, não para educar
Desde a infância, as crianças, normalmente não-excludentes, são (des)educadas pelos adultos a segregarem os outros. Através das provas, aprendem que benefícios são trocados pelas satisfação de exigências nem sempre justas.
O sistema educacional do país (que trabalha para as elites - estimulando a competitividade e a exclusão social), sempre se preocupa em colocar mais provas para impedir o acesso pleno aos direitos básicos da vida. Impressiona que para o Ministério da Educação, provas sejam muito mais importantes que as aulas, o que me faz apelidar esse ministério de Ministério das Provas. E mesmo assim vemos a educação piorar cada vez mais.
O próprio sistema de disciplinas escolares já é uma mostra das intenções excludentes de governos. Matérias supérfluas são priorizadas em detrimento das essenciais. Assuntos de complexidade extrema, de interesse de poucas classes profissionais são exigidas de todos no ensino médio. No vestibular ou no ENEM, os candidatos são obrigados a ter um conhecimento estranho ao de suas áreas profissionais se quiserem entrar na faculdade desejada.
E para quê exigir um nível de conhecimento que mais tarde se mostrará inútil na carreira escolhida? Isso é qualificação? Em que é útil um administrador de uma fábrica da motores para carro saber a estrutura química de um tijolo? Um biólogo que vai cuidar de espécies no agreste brasileiro deve conhecer as fórmulas da trigonometria? É estranho, é inútil, mas em nosso sistema educacional, as coisas "funcionam" dessa maneira.
Para a vida afetiva também se faz exigências inúteis
Numa sociedade ignorante, odiosa e gananciosa, em que há injustiças para todo o lado, a vida afetiva não poderia ficar de fora. Seres humanos falhos costumam ser falhos em muitas ocasiões e só deixarão de ser quando desenvolverem a lógica e o discernimento, direcionando suas exigências para algo mais eficiente.
Com a desculpa de se "protegerem" de um mundo cada vez mais "inseguro", as mulheres resolveram apertar ainda mais as exigências, mas apenas nos aspectos relacionados com proteção e sustento. Mas isso não garante o sucesso afetivo, já que muitos dos aspectos relacionados com proteção e sustento são inúteis para o sucesso de um relacionamento. Sem falar que muitas das agressões contra mulheres são feitas por namorados/maridos que satisfazem o perfil ideal de protetor/provedor.
Muitos dos aspectos necessários não estão relacionados com proteção e sustento, sendo negligenciados em favor destes últimos. Muitos dos homens rejeitados pelas mulheres dariam melhores companheiros, mesmo não satisfazendo aspectos de proteção/sustento, mas por satisfazerem outros aspectos mais necessários e eficientes.
Muitos dos aspectos necessários não estão relacionados com proteção e sustento, sendo negligenciados em favor destes últimos. Muitos dos homens rejeitados pelas mulheres dariam melhores companheiros, mesmo não satisfazendo aspectos de proteção/sustento, mas por satisfazerem outros aspectos mais necessários e eficientes.
Resultado: casais onde o homem traz dinheiro para casa, impõe respeito social pelo porte físico ou pelo prestígio profissional, mas que em matéria de humor e caráter e´um verdadeiro desastre, transformando qualquer relacionamento numa situação desconfortável que só é "bem sucedida" quando suportada pelos aspectos de proteção e sustento, que acabam compensando as falhas de personalidade do homem escolhido. Pelo menos enquanto essas falhas não se transformam numa grave tragédia.

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