Os manifestantes pró-Bolsonaro qinda continuam a usar músicas de rock nacional em suas manifestações (embora, felizmente, a mãe do Cazuza proibiu a utilização de músicas não somente gravadas, mas compostas pelo filho, esquerdista assumido). Quando é que os direitistas vão ter o simancol de que o rock não é tipo de música feito para eles?
A utilização das obras da Legião Urbana pela direita é hipocrisia cara-de-pau
Marcelo Pereira, Planeta Laranja, 27/08/2016
Renato Russo deveria mandar um médium lançar um processo judicial contra a direita pela utilização de suas obras. As ideias contidas nas letras de suas músicas, claramente progressistas e humanitárias estão sendo utilizadas com frequência por conservadores, defensores de ideais contrários aos do falecido compositor. A utilização das músicas compostas por Renato Russo por setores de direita tem servido para que políticos, empresários e ideólogos conservadores disfarcem a sua imagem real retrógrada com um verniz de progressividade e humanismo que estão claramente ausentes nas ideologias que estes conservadores defendem. É o que podemos chamar tranquilamente e sem hesitar de hipocrisia cara-de-pau.
Rock, ritmo tradicionalmente progressista, a serviço do retrocesso
Há poucos meses, o grupo Capital Inicial foi fazer uma show em Curitiba e convidou o juiz pró-PSDB Sérgio Moro para assistir em um camarote VIP. O público fascista (o Fascismo está em alta em Curitiba) que foi ao show delirou ao saber que o juiz-xerife (que foi adolescente nos anos 80, dois anos a menos que eu, e hoje é um quarentão com ideias e postura de 200 anos atrás) estava na plateia.
Dinho Ouro Preto, descendente de nobres, dedicou a canção Que País é Esse? a Moro, ignorando que a letra fala em "sujeira para todo o lado", principalmente do lado de Moro, de Tucanos, de Temer & CIA. A foto que ilustra esta postagem é deste encontro bastante hipócrita que mostra o rock a serviço do retrocesso.
Recentemente eu assisti como parte de um curso, a uma palestra em vídeo de um executivo claramente conservador que abriu a mesma com a execução - na íntegra (!!!) - da música Tempo Perdido. Soou bem hipócrita, já que além de não utilizar a letra para ilustrar a sua palestra (ele se limitou a elogiar a banda, apenas), ao longo da palestra foi defendendo posturas contrárias a do famoso compositor, incluindo a falácia da Meritocracia, uma tese comprovadamente impossível.
A música acabou soando deslocada da palestra, o que soou claramente uma tentativa do executivo-palestrante soar simpático aos mais jovens e os de mentalidade progressista, para depois arrancar a máscara da progressividade e mostrar as suas horrendas feições de capitalista-medieval. Hipocrisia, repito, é o melhor nome para isso.
Conservadores forçando a barra para parecer "progressistas"
Os conservadores querem forçar a barra para se tornar "mudernos", mas exigindo um mundo retrógrado, com direitos limitados poucos privilegiados, limitações ao bem estar de pobres, negros, gays, ateus, mulheres, socialistas e outros tipos de pessoas que não se enquadram nas convicções pessoais dos conservadores.
Já haviam feito coisa parecida com Cazuza, principalmente com a música Brasil. Os - minguados - protestos coxinhas de Niterói chegaram a tocar a tal faixa. mas certamente se lembraram que o compositor também gravou Burguesia, que soa como uma grave ofensa aos coxinhas, quase todos integrantes das mais abastadas elites. Cazuza certamente estaria apoiando Dilma e o PT se estivesse vivo.
Infelizmente muitos roqueiros resolveram se inclinar para a direita, após ganhar muito dinheiro e virar magnatas. O rock, ritmo que nasceu rebelde e humanista agora perde a sua vocação rebelde para atender interesses conservadores, nem que sejam os de tentar livrá-los dos estigmas de retrocesso. mas não adianta, a essência é algo que não se livra facilmente e a simbiose forçada de roqueiros e conservadores é um tiro no pé que representa o melhor exemplo de hipocrisia que se pode observar na atualidade.
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