É óbvio que direitistas não gostam de pobres. Entusiasmados defensores da ganância da qual consideram justas ("a sobrevivência é uma competição; os ricos os vencedores; a riqueza é o seu prêmio"), direitistas (incluindo liberais) acham que pobres merecem o sofrimento que possuem e devem lutar muito, aos níveis do impossível, se quiserem sair de sua condição indigna.
Mas para parecerem bonzinhos perante a sociedade, os direitistas passaram a defender uma certa solidariedade precária e paliativa que só conforta durante um tempo limitadíssimo, além de não tirar essas pessoas da pobreza, aprisionando as em um estilo de vida que no mínimo, na melhor das hipóteses, pode ser chamado de indigno.
Só que além da direita liberal, mais comportada, ainda sádica, mas menos violenta, temos a esquerda brasileira que pelo jeito não está muito disposta a redistribuir renda. Famosas personalidades de esquerda na política e no entretenimento não param de ostentar uma boa vida que entra em contradição pornográfica com o altruísmo que a mesma esquerda diz ter.
Mas como ser bondoso na esquerda sem que a bem vivida pequena e média burguesia de esquerda tenha que reduzir seu padrão de vida? A salvação desta esquerda gananciosa veio de uma ideia surreal: a apologia da pobreza. Incluindo claro, o nefasto safari humano, onde pobres, como micos de realejo, rebolam e fazem dancinhas ridículas para entreter os confortáveis. Como eram os bobos da corte nos tempos medievais.
A apologia da pobreza, que em sua divisão mais empolgada é conhecida como glamourização da pobreza, tem feito com que o povo pobre seja admirado, não como ser humano com direitos, mas como aqueles que trarão alegria à humanidade (leia-se classe média muito bem vivida) através daquilo que as esquerdas chamam de "cultura" (entretenimento).
Enfiar na cabeça do pobre aquela ideia de se orgulhar da favela em que nasceu, como se a vida indigna que possui é digna e feliz é um bom meio de manter o pobre na desgraça crônica e também uma forma de aprisionamento.
Quase ninguém fala, mas as favelas e bairros periféricos são os campos de concentração do fascismo tupiniquim. Se as esquerdas apoiam a permanência em favelas, isso é mal sinal. As esquerdas corroborando com os ideais de direita? Qualé?!
Os direitistas moderados como o sempre intrometido Luciano Huck estão sorrindo de orelha a orelha. As esquerdas fazendo apologia da pobreza como se viver com quase nenhuma grana em barracos caindo ou prestes a explodir com uma rotina de balas (armas, não doces) perdidas jogadas na atmosfera fosse a maravilha das maravilhas. Como se ser pobre fosse uma maravilha.
A ideia, que é cruel mas passa despercebida dos esquerdistas mais ingênuos, serve para que pobres desistam de mudar de classe social, deixando de ser uma ameaça ás classes economicamente superiores, que seguem tranquilas em sua abominável ganância.
Isso mostra que as esquerdas brasileiras estão pouco interessadas em melhorar o país, defendendo costumes e valores antiquados e aprisionando a classe pobre em sua desgraça perpétua e eternizando as injustiças que quase todos se recusam em combater.

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