Muito se fala sobre o chamado Espiral do Silêncio, quando a ideia original de uma pessoa se dissipa e perde força diante do pensamento único defendido pela maioria. Apesar de fazer parte do instinto humano e de ser comum em todo o planeta Terra, como forma de preservar a sociabilização (o ser humano é um ser social), os brasileiros levam ao extremo a necessidade de uniformizar o pensamento coletivo.
Os brasileiros gostam de imitar a maioria. Além de dar a ilusão de inclusão social (que deveria se dar através da satisfação de direitos e não através da uniformidade de pensamentos), seguir a maioria facilita muito a sociabilização e a conquista de direitos que só podem ser adquiridos pela satisfação da vontade alheia, como emprego e vida efetiva.
O Espiral do Silêncio é muito mais comum no sociedade brasileira do que se é capaz de imaginar. Somos praticamente robôs da vontade alheia. Quando crianças, somos mais espontâneos, mas esta espontaneidade começa a desaparecer quando percebemos a necessidade de pertencermos a um grupo para adquirir importantes benefícios.
Se pararmos para pensar, boa parte do que fazemos não tem qualquer necessidade lógica. Fazemos apenas porque a sociedade "exigiu". Exigiu não da forma convencional, senão perceberíamos isso. Mas o conjunto de valores que são defendidos pela coletividade exige o cumprimento de certos rituais que envolve a tomada de certas atitudes.
Para a maioria das pessoas, a vida segue um roteiro pre-determinado, com insignificantes variações de pessoa para pessoa: passar a infância brincando, a adolescência namorando e cometendo suas loucuras, na vida adulta arruma emprego, casa, faz filho, compra carro, viaja e na velhice adoece e morre. Tem sido assim com cerca de 99% das pessoas. E quem não cumpre este roteiro, ou parte dele, se sente excluído, abandonado.
Até mesmo nossos gostos e convicções são direcionados pela sociabilização. A cultura alternativa é um fracasso, mais ainda no Brasil. Até mesmo na hora das pessoas fingirem que são "diferentes" apelam para o Espiral do Silêncio, escolhendo uma tendência que não fosse muito diferente da cultura oficial (mainstream).
Um exemplo disso é procurar na banda Muse (menos popular) uma alternativa ao Coldplay (muito popular), mesmo que os dois façam exatamente o mesmo som e tenham a mesma atitude. É querer evirar se arriscar, pois quase todos tem medo de serem chamados de estranhos. Fingir ser autêntico e original é muito bom, desde que dentro daquilo que as pessoas conhecem como normalidade.
Por isso que as pessoas cada vez mais aderem a padronização de gostos, ideias e costumes, pois a sociabilização é muito mais importante que qualquer coisa. Imitar o outro para nunca ficar sozinho. Personalidade original só para enganar os outros, fingindo que tudo que fazemos é espontâneo. Pois fingir espontaneidade é outro truque para facilitar a sociabilização.
Ninguém aceitaria como amigo alguém que faça as coisas só para agradar aos outros. Mesmo que no fundo qualquer um sabe que a imensa maioria das pessoas age com o único objetivo de se sociabilizar.

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