O Brasil pelo jeito não tem vocação para país. Surgido para ser apenas uma espécie de estoque para exploração alheia, ele parece retomar a sua vocação de fonte de exploração após tentativas sabotadas de se tornar uma verdadeira nação. Sabe-se que as elites mais poderosas e aqueles que as apoiam não fazem questão que o Brasil seja um país, apenas se aproveitando desta condição para satisfazer interesses particulares.
O povo brasileiro sempre foi desestimulado pela racionalidade. Se existem pessoas racionais e sensatas no Brasil, foi por iniciativa própria, pois nenhuma instituição tradicional no Brasil serviu para estimular um pensamento que fosse ao mesmo tempo crítico, racional e verdadeiramente altruísta. Se somos o terceiro povo mais ignorante do mundo, é porque houve meios que facilitaram estra triste colocação.
Se em tempos melhores nunca fomos de fato um povo "heroico" que "não foge a luta", em tempos ruins, como o que se iniciou no último dia de agosto, um mês que é estigmatizado por ser azarento, mas que este ano foi relativamente tranquilo (por causa das Olimpíadas), mas que reservou o tradicional mau agouro para o último dia, com o fim da jovem democracia de apenas 35 anos.
Claro que em dias cívicos como o de hoje é um palco perfeito para hipócritas fingirem o seu patriotismo. A Pátria, entidade abstrata e por isso, quase irreal (só existe de fato em documentos), só existe de verdade com o seu povo. Prejudicar o povo para salvar a Pátria é uma insanidade sem tamanho. O que os defensores da "Pátria" achariam se toda a população brasileira fosse aniquilada, como querem alguns fascistas? Haveria país sem povo?
A mídia oficial conseguiu dividir o país em uma irresponsável polarização política. Ao invés de estimular os brasileiros a pensarem no povo como um todo, acabaram criando um clima de guerra que faz com que cada um defenda a sua preferência política, ao invés de pensar em melhorar a qualidade de vida e melhorar também a compreensão da realidade de nosso país.
Estamos divididos. Não nos comportamos como membros de uma nação. A direita vitoriosa se prepara para eliminar direitos e assassinar a soberania nacional. As elites protegem seus privilégios como rotweillers humanos babando ódio. Fascistas exigindo "limpeza" étnica para que seus bens e direitos sejam exclusividade sua. Enfim, o Brasil virou um pesadelo em forma de território.
Hoje estou muito triste. O Brasil de 7 de setembro de 2020 não pode mais ser considerado um país. Fragmentado em classes e ideologias e empenhado a entregar nossas maiores riquezas e gananciosos empresários estrangeiros, nos preparamos para ser um novo Haiti, com uma próspera elite de poucos membros e uma gigantesca massa de carentes, abandonados por lideranças de todos os tipos.
Tempos tristes estes no Brasil. Infelizmente o Brasil morre como nação e sobrevive como fonte de exploração por mentes gananciosas do poder econômico-político-jurídico-midiático. Precisamos declarar Independência de todas as gananciosas elites, antes que morramos como nação.

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